Atividades

A experiência da cor nas imagens

Contextos
Itinerários da cor

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Programa

O curso, pensado para um público diverso, aborda as artes visuais, o cinema, a arquitetura e a arte têxtil como campos privilegiados de discussão sobre a cor.

O intuito das aulas é de desenvolver a sensibilidade do aluno sobre a sua percepção das cores na realidade visual que nos cerca, seja em imagens estáticas ou em movimento – cartazes, filmes, tecidos, construções, monumentos, obras de arte, peças publicitárias - ou seja, nos aspectos da vida social.

Artistas e pesquisadores fizeram da cor seu projeto, inserindo-a em contextos antes não explorados e rompendo com a mística de que ela é um elemento anódino ou supérfluo da imagem.

Tendo como o condutor os conceitos “cromofobia” e “geografia da cor”, oriundos das artes visuais e da arquitetura, será discutida a cultura da cor em sociedades onde ela se expressa de maneira enfática - como a mexicana, japonesa, francesa e brasileira - e de que como a história colonial dos pigmentos deflagrou uma guerra pelo controle da cor na Europa.

Nessas mesmas sociedades, a arquitetura representa valores cromáticos locais, enredados em elementos históricos e geográficos específicos. A relevância da cor na constituição da arte do final do século XIX e seu prosseguimento na arte contemporânea são pontos de discussão sobre as artes visuais e a superação da clássica dicotomia desenho e cor. No cinema, a cor surge como efeito visual resultado do desenvolvimento tecnológico desde os anos 20 e definiu parâmetros estéticos e modos de produção durante o cinema clássico.

Do cinema moderno ao contemporâneo, gramáticas emocionais da cor são repensadas e por vezes superadas por um uso alegórico da cor.

A perspectiva instalada pelo curso não é apenas o de desenvolver uma sensibilidade do olhar do aluno quanto à cor, mas também de refletir sobre os alcances sensoriais e simbólicos proporcionados pelo fenômeno cromático e o que ele diz sobre nós no momento histórico presente.

25/3 - Cromofobia e cromofilia
O termo “cromofobia”, criado pelo artista britânico David Batchelor, baliza muitas pesquisas sobre cor. Basicamente, ele alega que a sociedade ocidental é orientada pela aversão à cor, no máximo dando vazão ao branco e ao cinza. Do lado oposto, sociedades consideradas não ocidentais recebem e glorificam a cor, por isso que são tidas pelo autor como “cromofílicas”. Esta aula problematiza ambos conceitos tendo como parâmetro três recortes geográficos e a arte têxtil de países como o México, o Japão e a França. Seriam as culturais ocidentais de fato cromofóbicas? Como o rico e lucrativo comércio de pigmentos na Europa gerou uma verdadeira guerra pelo controle da cor em território europeu e nas terras além mar? Como esses locais trabalham e assimilam a cor hoje?

1/4 - Geografia da cor
A dupla de arquitetos Jean-Philippe e Dominique Lenclos, em cujas viagens à América Latina, África, Ásia, Europa Ocidental, Leste Europeu e Estados Unidos buscaram uma expressão cromática local em casas, construções artesanais e industriais: aquilo que eles chamaram de “geografia da cor”. Essa pesquisa revela que não apenas culturais tradicionais, mas reconhece a presença da cor em grandes cidades, dominadas por um poderoso centro financeiro, como Nova York. No caso brasileiro, a extensa pesquisa da fotógrafa Anna Mariani aponta nas coloridas fachadas e platibandas do nordeste brasileiro a súmula de uma parte da cultura visual brasileira fundada no processo da caiação. O Brasil contemporâneo, por outro lado, apresenta uma nova paleta de cores que expressa a saúde econômica do país, baseada nas tintas industriais e de cor cítrica. Essas cores não são apenas presentes nas periferias urbanas, em especial nas favelas, como também no Brasil sertanejo e distante dos grandes centros.

8/4 - A experiência da cor na arte: a artes visuais moderna
A pintura moderna lançou um passo definitivo a respeito da dicotomia cor e desenho, como afirmou a pesquisadora Jacqueline Lichteinstein. Desde o final do século XIX, alguns artistas se colocaram em defesa da cor contra a pintura da arte oficial dos Salões, esta definida por David Batchelor como manifestações “cromofóbicas”. Van Gogh e Paul Gauguin determinaram na cor um potencial emotivo ou localizando nela um elogio aos padrões não ocidentais. O século XX deu boas vindas à cor através de estéticas muito pessoais e alicerçadas em atributos não apenas da subjetividade. Pintores como Henri Matisse, Paul Klee e Wassily Kandinsky colocaram-na em defesa dos seus projetos artísticos e enredada na antinomia estética de aceitação ou recusa da modernidade como fenômeno histórico.

15/4 - A cor no espaço: a arte contemporânea
A arte contemporânea, em especial a instalação e a intervenção urbana, dedicou seu foco de atenção sobre o espaço das cidades. Obras de escalas arquitetônicas ou pequenas interferências no modo de constituição das cidades forçam o espectador a reconhecer a presença da cor nas ruas, avenidas e espaços de ocupação urbana ou até mesmo no campo, aquilo que Rosalind Krauss denominou como “escultura em campo ampliado”. Tintas e outros materiais industriais são a tônica das poéticas desenvolvidas por Hélio Oiticica na série “Magic Square”, por Christo e Jeanne-Claude em suas obras de escala ambiental, por Daniel Buren em suas instalações e intervenções urbanas. No mesmo período, outros artistas avaliam a inserção da cor na paisagem como dispositivo visual de reconhecimento social do espaço pelo espectador. Essas poéticas em campo ampliado reavaliam o legado da cor não mais como elemento pictórico, mas sim como uma identidade da cultura visual contemporânea.

22/4 - Cor no cinema
O cinema narrativo, atento às transformações do estatuto da cor nas artes, realocou esse debate na criação de uma linguagem inovadora. O Technicolor se apresenta como um aparato tecnológico e um procedimento estético que revitaliza e reforça a dimensão da cor no cinema clássico. Natalie Kalmus é uma figura emblemática na constituição de novos procedimentos da cor no cinema norte-americano, cujos alcances se estenderam até meados dos anos 60. O cinema moderno, em sintonia com a arte contemporânea, satura e estiliza a imagem através da cor para propor novas leituras sobre o cinema, a arte e a sociedade. A reboque dos dois legados, o cinema contemporâneo mescla múltiplas tendências para a cor e se auxilia nos efeitos especiais e de pós-produção para reelaborar sua estética visual e simbólica.

As inscrições pela internet podem ser realizadas até um dia antes do início da atividade. Após esse período, caso ainda haja vagas, é possível se inscrever pessoalmente em todas as unidades. Após o início da atividade não é possível realizar inscrição.

Se você necessita de recursos de acessibilidade, como tradução em Libras, audiodescrição, entre outros, solicite por e-mail ou telefone, com até 48 horas de antecedência do início da atividade. centrodepesquisaeformacao@sescsp.org.br / 11 3254-5600

(Foto: Laura Carvalho)

Palestrantes

Laura Carvalho

Laura Carvalho

Graduada em Audiovisual e mestre pela USP, onde defendeu uma dissertação sobre cor, imagem em movimento e artes visuais. Participou de programas de Residência Artística no Japão e no Brasil sobre a presença da cor na arquitetura popular. Apresentou sua investigação em conferências no Japão, Espanha e Inglaterra. É também diretora de arte e assinou os cenários de filmes e performances em projetos com a França, Itália e Singapura, dentre outros no Brasil.
(Foto: Acervo Pessoal)

Bibliografia

New Geographies 3: Urbanisms of color. Cambridge: Harvard University Press, 2010.
ALBERS, Josef. A interação da cor. São Paulo: Martins Fontes, 2009.
AUMONT, Jaques. O olho interminável - Cinema e pintura. São Paulo: Cosac Naify, 2004.
BATCHELOR, David. Cromofobia. São Paulo: Senac, 2007. BONITZER, Pascal. Décadrage - Peinture et cinéma. Paris: Cahiers du Cinéma, 1985.
EISEMAN, Leatrice; RECKER, Keith. Pantone, the 20th century in color. São Francisco: Chronicle Books, 2011. FOSTER, Hal. The art-architecture complex. Londres: Verso, 2013.
GAGE, John. Colour and culture. Londres: Thames & Hudson, 2009. HIBI, Sadao. The Colors of Japan. Tóquio: Kodansha International, 2000.
ITTEN, Johannes. L’art de la couleur. Paris: Dessain & Tolra, 1973.
KANDINSKY, Wassily. Do espiritual na arte. São Paulo: Martins Fontes, 2009. KRAUSS, Rosalind. “Escultura em campo ampliado” in Revista Gávea. Rio de Janeiro: PUCRJ, 1984, p.87-93.
LEGRAND, Catherine. Indigo – The colour that changed the world. Londres: Thames & Hudson, 2012.
LENCLOS, Jean-Philippe e Dominique. Colors of the world – A geography of color. Nova Iorque/ Londres: W. W. Norton & Company, 2004.
LICHTEINSTEIN, Jacqueline. A pintura – o desenho e a cor. São Paulo: Editora 34, 2006.
MARIANI, Anna. Pinturas e platibandas. Rio de Janeiro: Instituto Moreira Salles, 2010.
MISEK, Richard. Chromatic cinema: A history of color screen. Londres: Wiley-Blackwell, 2010.
PASTOUREAU, Michel. Preto - História de uma cor. São Paulo: Imprensa Oficial, 2011.
PRICE, Brain. Color - The film reader. Londres: Routledge, 2006.
TANIZAKI, Junishiro. Elogio à Sombra. Lisboa: Relógio d’Água, 2008.
TEMKIN, Ann. Color chart: reinventing color, 1950 to today. Nova York: MoMa

Data

25/03/2019 a 22/04/2019

Dias e Horários

Segundas, 14h às 17h.

As inscrições podem ser feitas a partir de 26 de Fevereiro, às 14h, aqui no site do Centro de Pesquisa e Formação ou nas Unidades do Sesc em São Paulo.

Local

Rua Dr. Plínio Barreto, 285 - 4º andar
Bela Vista - São Paulo.

Valores

R$ 15,00 - credencial plena: trabalhador do comércio de bens, serviços e turismo matriculado no Sesc e dependentes
R$ 25,00 - pessoa com mais de 60 anos, pessoa com deficiência, estudante e professor da rede pública com comprovante
R$ 50,00 - inteira