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A metalinguagem em diversas linguagens

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 Zoom, o primeiro longa metragem solo do diretor Pedro Morelli foi lançado no Brasil em março de 2016 e impactou pelo seu formato pouco convencional.

A produção possui um elenco de peso, foi filmada em inglês e português e mistura animação em rotoscopia (processo em que se desenha a partir da imagem filmada do ator) com live-action de um multiplot de três histórias paralelas.

Trata-se de uma comédia sarcástica, com uma trilha sonora riquíssima e que conta a história de três artistas: Edward (Gael García Bernal), um vaidoso diretor de cinema que precisa refilmar o final de um longa contra sua vontade e de repente começa a ter problemas sexuais. Michelle (Mariana Ximenes), modelo brasileira que deixa o namorado e a carreira nos Estados Unidos para voltar ao seu país e escrever um livro. E Emma (Alison Pill), que, desesperada para retirar seus implantes de silicone, recorre a meios duvidosos para ganhar um dinheiro extra.



 No próximo sábado, o diretor estará no Centro de Pesquisa e Formação do Sesc participando do Cine Debate.

Antes de aparecer por aqui, ele bateu um papo conosco sobre a concepção desse projeto.

Como nasceu o projeto do filme?
Fui convidado pelo produtor canadense Niv Fichman para criar um projeto que fosse original e criativo. Ele estava chamando diretores estreantes para projetos inovadores, e me convidou, quando eu tinha apenas 23 anos.  


Como você conseguiu manter a linearidade entre as histórias?
Esse foi o principal desafio, ao longo dos 5 anos de roteiro. As histórias se conectam e se influenciam sem parar. Cada uma tem sua lógica interna, ao mesmo tempo que se conectam com uma temática geral.  


De onde veio a ideia de utilizar Rotoscopia no filme?
A principal inspiração foi Waking Life. Usamos uma técnica parecida, mas mais focada em um desenho gestual, que se assemelhe ao traço à mão de uma história em quadrinhos.
Como uma das histórias se passa dentro de uma história em quadrinhos, fazia todo sentido que ela fosse realizada em animação. 


David Bowie assistiu ao filme e acabou liberando uma música para que fosse utilizada na trilha sonora. Como foi esse processo?
Foi a parte mais gratificante do projeto até hoje. Estávamos perto da mixagem do filme, tentando comprar os direitos da música 'Oh You Pretty Things', do Bowie. Mas a gravadora não estava liberando pela grana que a produção tinha. Até que o filme foi enviado para o próprio David Bowie, que assistiu, gostou e mandou liberar os direitos!  


Após a boa repercussão do filme, você acredita que as expectativas sobre seu novo trabalho serão maiores? E tu já tens um novo projeto em mente?

Expectativas maiores me empolgam ainda mais! Estou sondando alguns trabalhos, mas não tenho nada definido ainda. 

E o qual seu recado para aqueles que ainda não assistiram ao filme, e que tem interesse de participar desse cine debate?

O projeto sempre teve como briefing ser o mais criativo possível. Misturei linguagens e estéticas, numa história metalinguística e pop sobre nossa sociedade contemporânea mergulhada na superficialidade em busca de padrões de beleza. Quem quiser ver como tudo isso virou um filme, chega mais no sábado!


 

* Pedro Morelli é formado em Audiovisual pela ECA/USP. Em 2009, e complementou sua formação no Maine Media College.

Codirigiu o longa Entre Nós (2014), vencedor de três prêmios no Festival de Cinema do Rio, e dirigiu a série de televisão Contos do Edgar, que foi ao ar pela FOX no Br.

 

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