Atividades

Momentos em que o cinema aproximou mundos geograficamente distantes e problematizou fronteiras pré-estabelecidas

Perspectivas
Atlas de Imagens: Cenas de um Cinema Viajante

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Programa

O curso propõe um itinerário através da história do cinema ressaltando a vocação internacionalista da arte cinematográfica. A noção de “Atlas de Imagens”, de Aby Warburg, deflagra a reflexão aqui proposta a respeito de uma coleção não exaustiva de momentos em que o cinema aproximou mundos geograficamente distantes e problematizou fronteiras pré-estabelecidas.

Os exemplos analisados vão das vistas Lumière, filmadas em diferentes continentes desde a primeira década do cinematógrafo, ao cinema transnacional contemporâneo, passando pela presença do cinema nas Exposições Universais e por cineastas que navegaram entre distintas geografias, línguas e gêneros.

Coordenação: Lúcia Ramos Monteiro e Danielle Crepaldi Carvalho.

16/2- Uma “viagem ao redor do mundo”: das conferências ilustradas, imagens estereoscópicas e afins ao cinema. 
No crepúsculo do século XIX, os Lumière apresentaram o cinematógrafo enquanto aparato que permitia mostrar “o mundo ao mundo”. Todavia, o impulso cartográfico é anterior às “fotografias em movimento” projetadas pela máquina dos irmãos franceses. A aula propõe um percurso por aparatos tecnológicos e espetáculos que, entre os séculos XVIII e XIX, tinham por objetivo descortinar o mundo ao público – a exemplo das conferências ilustradas, do teatro de sombras, dos panoramas, das imagens estereoscópicas e das lanternas mágicas – procurando estabelecer as relações formais e temáticas entre eles e o cinema dos anos de 1895-1905.
Com Danielle Crepaldi Carvalho.

23/2- As viagens transoceânicas de Chris Marker
A filmografia de Chris Marker se debruçou sobre vários acontecimentos políticos da segunda metade do século XX. Seu caráter internacionalista provém, em grande parte, dos frequentes deslocamentos do cineasta francês, que estabeleceu conexões com as mais diversas regiões do mundo. Neste encontro se abordarão as redes e os filmes originados de suas viagens transoceânicas, com foco nos laços firmados com a América Latina.
Com Carolina Amaral de Aguiar.

9/3- Flertes com o horror no cinema contemporâneo da Argentina e do Brasil
Nos últimos anos, vem se notando um florescimento do cinema de horror na Argentina e no Brasil: seja em sua corrente mais “militante”, seja em sua corrente mais “social”, para usar os termos da pesquisadora do gênero Laura Cánepa. Este encontro busca discutir a segunda corrente, em que as produções flertam com o horror sem se filiar completamente ao gênero. Os argentinos Lucrecia Martel e Benjamín Naishtat, e os brasileiros Juliana Rojas e Marco Dutra serão alguns dos cineastas abordados.
Com Natalia Christofoletti Barrenha.

16/3 - As origens do gótico tropical. Uma leitura benjaminiana de Caliwood (Caicedo, Ospina, Mayolo)
Histórias de vampiros, de zumbis, de incesto, de canibalismo social e de antropofagia entre as classes sociais na paisagem do escravagismo antigo e do colonialismo moderno próprios da América latina: assim poderíamos definir o “gótico tropical”. Essa estética fílmica e literária colombiana importa, no clima tropical, o gótico nascido nos castelos da Transilvânia e nas mansões vitorianas, da Romênia e da Inglaterra.  A aula convida a mergulhar nas origens do gótico tropical, visitando, a partir de uma leitura benjaminiana que combina crítica social e crítica estética, as obras do escritor e cineclubista Andrés Caicedo e dos seus amigos cineastas Luis Ospina e Carlos Mayolo.
Com Marc Pierre Olivier Berdet.

23/3 -O cinema nas Exposições Universais, da World's Columbian Exposition de 1893 à New York World's Fair de 1939
Integrante de uma cultura visual construída por esses espaços dedicados a celebrar o capitalismo, o cinema participou de diversas feiras mundiais em virtude de sua capacidade de entreter e, ao mesmo tempo, educar, constituindo-se na principal “vitrine” em que a nação projeta as virtudes a serem comemoradas na medida em que se consolidou como meio de comunicações de massas.
Com Eduardo Morettin.

30/3 - O travelling como figura de estilo na comparação entre filmes mexicanos e brasileiros voltados para a representação da violência na história (1946-2001)
Estudo comparativo de seis filmes mexicanos e brasileiros tomados como paradigmas de um estilo de época: anos 1940-50 (clássico), anos 1960-70 (moderno) e anos 2000 (contemporâneo). Na análise intertextual, destaca-se de que forma um procedimento – o travelling – adquire funções singulares na figuração da experiência social e dos conflitos políticos, seja quando se focaliza a Revolução Mexicana, a figura do bandido social no sertão brasileiro ou a violência urbana na era da globalização e da delinquência empresarial. Duplas de filmes cotejadas: Enamorada (1946), de Emilio Fernández, e O cangaceiro (1953) de Lima Barreto; Deus e o diabo na terra do sol (1964), de Glauber Rocha, e Reed, México Insurgente (1971), de Paul Leduc; e O invasor (2001), de Beto Brant, e Amores Perros (2000), de Alejandro Iñarritu.
Com Ismail Xavier.


As inscrições pela internet podem ser realizadas até um dia antes do início da atividade. Após esse período, caso ainda haja vagas, é possível se inscrever pessoalmente em todas as unidades. Após o início da atividade não é possível realizar inscrição.


Se você necessita de recursos de acessibilidade, como tradução em Libras, audiodescrição, entre outros, solicite por e-mail ou telefone, com até 48 horas de antecedência do início da atividade. centrodepesquisaeformacao@sescsp.org.br / 11 3254-5600

(Foto: Salão Paris no Rio: anúncio. O Animatógrafo, Rio de Janeiro, 1899, p. 4)

Palestrantes

Carolina Amaral de Aguiar

Carolina Amaral de Aguiar

Doutora em História Social pela FFLCH-USP. É professora colaboradora adjunta do curso de História da Universidade Estadual de Londrina (UEL), na área de História da América.
(Foto: Acervo Pessoal)

Danielle Crepaldi Carvalho

Danielle Crepaldi Carvalho

Doutora em Teoria e História Literária pela UNICAMP. Desenvolve, no momento, um projeto de pós-doutorado na ECA/USP, com auxílio da FAPESP. É editora do blog ofilmequeviontem.blogspot.com.br.
(Foto: Acervo Pessoal)

Eduardo Morettin

Eduardo Morettin

Professor de história do audiovisual na ECA/USP. É editor, junto com Irene Machado, do periódico "Significação - Revista de Cultura Audiovisual". É membro do Conselho da Cinemateca Brasileira desde 2007.
(Foto: Acervo Pessoal)

Marc Pierre Olivier Berdet

Marc Pierre Olivier Berdet

Doutor em Sociologia pela Université Paris 1 Pantheon-Sorbonne. Concluiu na USP pesquisa de pós-doutorado intitulada "No Shopping Parque Dom Pedro: abordagem sócio-antropológica de um espaço fechado".
(Foto: Acervo Pessoal)

Natalia Christofoletti Barrenha

Natalia Christofoletti Barrenha

Doutora em Multimeios pela UNICAMP. Autora do livro "A experiência do cinema de Lucrecia Martel: resíduos do tempo e sons à beira da piscina" (Alameda, 2014).
(Foto: Gustavo Lemos)

Data

16/02/2019 a 30/03/2019

Dias e Horários

Sábados, 10h às 14h.
Exceto dia 2/3.

As inscrições podem ser feitas a partir de 29 de janeiro, às 14h, aqui no site do Centro de Pesquisa e Formação ou nas Unidades do Sesc em São Paulo.

Local

Rua Dr. Plínio Barreto, 285 - 4º andar
Bela Vista - São Paulo.

Valores

R$ 24,00 - credencial plena: trabalhador do comércio de bens, serviços e turismo matriculado no Sesc e dependentes
R$ 40,00 - pessoa com mais de 60 anos, pessoa com deficiência, estudante e professor da rede pública com comprovante
R$ 80,00 - inteira