Atividades

Como se vê a literatura feita por autores deslocados, periféricos, nômades e inseridos em novas culturas que lhe são estranhas?

Perspectivas
Ciclo: Literaturas cruzadas: fluxos e deslocamentos

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Programa

Os temas tratados nesse ciclo propõem uma geopolítica nova dentro da literatura contemporânea na qual despontam questões de espectro amplo, tais como o aumento da mobilidade em um mundo que se mostra caótico e ambíguo, a emergência do estranhamento e do incômodo entre esses novos imigrantes, o crescimento das áreas periféricas ao mundo capitalista, a violência exacerbada e a aceleração do tempo.

As novas narrativas redimensionam o poder da ficção como lugar de descentração de olhares entre diferentes posições ideológicas, revelando-nos elementos de estranhamento que rompam nossa percepção rotineira do mundo, tensionando situações e contribuindo com a necessidade que vemos de resistir ao autoritarismo, pragmatismo e consumismo que imperam em um mundo desigual.

Organização: Tânia Rivitti.

11/9 - Desejo e identidade
A palestra trata do problema da identidade que se manifesta na atualidade literária e na produção do escritor Bernardo Carvalho. Autores da passagem do realismo do século XIX para a modernidade, no século XX, como Conrad e Proust, que narram um certo estranhamento e o aflorar do inconsciente em suas obras e sugerem uma contraposição entre o desejo e a identidade também serão abordados.
Com Bernardo Carvalho.

18/9 - Literaturas africanas de língua portuguesa: descolonizando a escrita
A partir do pensamento de Franz Fanon, a palestra apresenta autores e textos contemporâneos das literaturas de Angola, Cabo Verde e Moçambique, como Ondjaki, Vera Duarte, Paula Tavares e Paulina Chiziane, enfatizando o diálogo com a literatura brasileira, as questões coloniais e os desafios das culturas que transitam entre a oralidade e a escrita.
Com Tania Macêdo.

25/9 - Exílio & acaso: fuga, extradição e azar
Essa palestra traz um apanhado dos exilados literários da América do Sul e sua implicação crítica. Na experiência latino-americana, Roberto Bolaño e Julio Cortázar viajaram porque quiseram. No entanto, Witold Gombrowicz veio e permaneceu na Argentina a contragosto, assim como Copi e J.R. Wilcock, que terminaram por mudar de língua, tornando-se escritores franceses e italianos, respectivamente. Mais recentes são o exílio econômico, acadêmico e turístico, além da herança do exílio dos filhos de perseguidos políticos.
Com Joca Reiners Terron.

2/10 - Mundo e submundo no Popol Vuh, poema épico maia-quiché
A palestra apresenta o poema épico “Popol Vuh”, que guarda a cosmogonia, o amanhecer da natureza e da humanidade, a mitologia heroica, a história e a genealogia dos Maias-Quiché da Guatemala. Nessa narrativa, os primeiros heróis enfrentam o submundo, conhecido como Xibalba, caracterizado como ameaçador e cruel,  onde o cadáver-árvore do pai fertiliza uma moça virgem das terras inferiores, com o consentimento dela; esse encontro amoroso entre os dois reinicia o ciclo vital que unirá para sempre o mundo e o submundo maias.
Com Sergio Medeiros.

9/10 - A literatura em movimento: palimpsestos culturais
As narrativas das diásporas retratam o sujeito contemporâneo à procura de um agenciamento sócio-político e cultural que rejeita as identidades sob rasura. Os contextos da terra natal e do local onde vivem os escritores da diáspora se sobrepõem gerando novos espaços transculturais. A partir de exemplos literários, principalmente caribenhos e indianos, serão analisados a ruptura do imaginário e os rituais de reinvenção gerados pela redefinição através da linguagem, do cruzamento de olhares e das transformações em relação à tradição e ao cânone.
Com Laura Izarra.

16/10 - Literaturas cruzadas: fluxos e deslocamentos
A nova geopolítica da literatura contemporânea a partir de narrativas de autores como Ahmadou Kourouma, Scholastique Mukasonga, Kamel Daoud, Igiaba Scego e Abdellah Taïa, que assimilam o choque cultural e os conflitos étnico-ideológicos que emergem de um mundo no qual as fronteiras se diluem.
Com Manuel da Costa Pinto.

As inscrições pela internet podem ser realizadas até um dia antes do início da atividade. Após esse período, caso ainda haja vagas, é possível se inscrever pessoalmente em todas as unidades. Após o início da atividade não é possível realizar inscrição.

Se você necessita de recursos de acessibilidade, como tradução em Libras, audiodescrição, entre outros, solicite por e-mail ou telefone, com até 48 horas de antecedência do início da atividade. centrodepesquisaeformacao@sescsp.org.br / 11 3254-5600

(Arte: Miração II - Wagner Pinto)

Palestrantes

Laura Izarra

Laura Izarra

Professora Titular em Literaturas de Língua Inglesa no Departamento de Letras Modernas da FFLCH-USP. É autora de Narrativas de la diáspora irlandesa bajo la Cruz del Sur (Corregidor, Argentina, 2010), entre outros. Seu campo de pesquisa é a literatura das diásporas e as relações entre Irlanda, Índia e Grã-Bretanha, tendo publicado vários artigos e ensaios; organizou e co-organizou livros, destacando-se Diário da Amazônia de Roger Casement (EDUSP 2016).
(Foto: Acervo Pessoal)

Joca Reiners Terron

Joca Reiners Terron

Poeta, prosador e designer gráfico, foi editor da Ciência do Acidente, pela qual publicou o romance "Não há nada lá" e o livro de poemas "Animal anônimo". É autor também dos volumes de contos "Hotel Hell", "Curva de rio sujo" e "Sonho interrompido por guilhotina". Foi vencedor do prêmio Machado de Assis na categoria melhor romance com "Do fundo do poço se vê a lua". Seu último romance é "A morte e o meteoro", que será publicado pela editora Todavia em outubro de 2019.
(Foto: Rafael Roncato)

Manuel da Costa Pinto

Manuel da Costa Pinto

Jornalista, crítico literário e mestre em teoria literária pela USP, autor de "Paisagens Interiores" e "Albert Camus: Um Elogio do Ensaio", apresentador do programa Arte 1 ComTexto (canal Arte 1) e curador do Oceanos - Prêmio de Literatura em Língua Portuguesa.
(Foto: Acervo Pessoal)

Bernardo Carvalho

Bernardo Carvalho

Escritor, jornalista, dramaturgo e tradutor. É autor de um livro de contos ("Aberração", 1993), de duas peças de teatro e de onze romances, entre eles, "Nove Noites" (Prêmio Machado de Assis, Prêmio Portugal Telecom), "Reprodução" (Prêmio Jabuti) e "Simpatia pelo Demônio", de 2016. Atualmente, faz parte do quadro de colunistas da Folha de S. Paulo.
(Foto: Acervo Pessoal)

Sérgio Medeiros

Sérgio Medeiros

Poeta, ensaísta, tradutor e professor de literatura na Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC). Traduziu, com a colaboração de Gordon Brotherston, o poema épico maia-quiché "Popol Vuh" e organizou a antologia de mitos ameríndios "Makunaíma e Jurupari". Como poeta, recebeu o prêmio Biblioteca Nacional 2017 pelo livro "A idolatria poética ou a febre de imagens". Em 2019, publicou os livros "Caligrafias ameríndias" e "Os caminhos e o rio", ambos de poesia visual.
(Foto: Acervo Pessoal)

Tania Macêdo

Tania Macêdo

Professora Titular de Literaturas Africanas de Língua Portuguesa da USP. Foi Diretora do Centro de Estudos Africanos da mesma Universidade. Tem artigos e livros publicados em Angola, na Alemanha, em Portugal, na Itália, em Moçambique e nos Estados Unidos. Entre outros títulos, publicou "Angola, Literatura e Cidade" (Editora da UNESP).
(Foto: Acervo Pessoal)

Data

11/09/2019 a 16/10/2019

Dias e Horários

Quartas, 15h às 17h.

As inscrições podem ser feitas a partir de 27 de agosto, às 14h, aqui no site do Centro de Pesquisa e Formação ou nas Unidades do Sesc em São Paulo.

Local

Rua Dr. Plínio Barreto, 285 - 4º andar
Bela Vista - São Paulo.

Valores

R$ 9,00 - credencial plena: trabalhador do comércio de bens, serviços e turismo matriculado no Sesc e dependentes
R$ 15,00 - pessoa com mais de 60 anos, pessoa com deficiência, estudante e professor da rede pública com comprovante
R$ 30,00 - inteira

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