Atividades

Sobre a preservação e o cultivo de um dos mais nobres valores humanos: a liberdade

Contextos
Ideias e Ações Libertárias

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Programa

O que, em especial, caracteriza a convivência social é a pluralidade. Diferentes modos de sentir, pensar e agir, possibilitam aos indivíduos e aos grupos a expressão de si mesmos, de suas necessidade e sonhos. Se a expressão dessas diferenças é impedida e/ou dificultada, estes se enfraquecem. Se a diversidade não se manifesta, a convivência social é embrutecida. Garantir, portanto, a livre expressão das diferentes formas de pensar e lidar com a vida ultrapassa os limites das instituições criadas para supostamente preservar ou “melhorar” a convivência social.

Tem a ver, isto sim, com a real necessidade de reconhecer, no interior das relações sociais, elaborações e criações de novos modos de viver.

Estes encontros pretendem apresentar concepções e práticas sociais na cidade de São Paulo que pensam, propõem e realizam formas não convencionais de lidar com educação, economia, gênero, terapia e cultura, tendo como norte a preservação e o cultivo de um dos mais nobres valores humanos: a liberdade.

E, tem a intenção também, de compartilhar conhecimentos e divulgar ideias e ações de indivíduos e grupos envolvidos com princípios libertários como solidariedade, cogestão, ação direta, liberdade dos indivíduos, apartidarismo, entre outros.

5/11 . AnarcoCultura - Centro de Cultura Social, espaço Anarquista
Trajetória e história do Centro de Cultura Social, desdobramento das ações dos trabalhadores fundado em 1933 na cidade de São Paulo. Apresentação de sua história, os princípios que orientam sua ação como espaço autônomo e autogestionário que trabalha no âmbito da cultura propondo outras formas de organização política, econômica e social. Na história do movimento sindicalista de orientação anarcossindicalista, sempre houve iniciativas culturais e educacionais para os trabalhadores e suas famílias. O Centro de Cultura Social é um dos desdobramentos e herdeiro dessas iniciativas. Fundado em 1933, fechado em 1937 devido aso golpe de Getúlio Vargas, reaberto em 1945, paralisa suas atividades em 1969 é refundado em 1985 e funciona até hoje. Já teve forte atuação na organização dos trabalhadores e com o passar dos anos também passou a atuar na área cultural. Possui arquivo, biblioteca e realiza cursos, palestras e debates sobre os mais variados temas sempre com foco na questão social a partir de uma leitura anarquista. Atualmente mantêm o Grupo de Estudos Anarquismos, Feminismos e Masculinidades.
Com Lúcia Silva Parra.

12/11 . AnarcoTerapia – Corpo, sociabilidade e micropolítica: o anarquismo na Somaterapia
As análises libertárias como balizadoras do comportamento individual e das práticas de liberdade nas relações sociais. Posicionando-se como uma terapia libertária, a Soma entende o comportamento humano a partir do cotidiano das pessoas e suas interações sociais. Os jogos de poder, presentes nas relações cotidianas, produzem o germe do autoritarismo social com forte ação nos processos de adoecimentos emocionais. A Somaterapia ou apenas Soma é um processo terapêutico pedagógico, realizado em grupo e com ênfase na articulação entre o trabalho corporal e o uso da linguagem verbal. Foi criada no Brasil pelo psiquiatra Roberto Freire em plena ditadura militar, a partir da obra de Wilhelm Reich sua pesquisa sobre corpo e emoção. As sessões terapêuticas abordam ainda os conceitos de organização vital da Gestalterapia, os estudos sobre a comunicação humana da Antipsiquiatria e a arte-luta da Capoeira Angola.
Eles servem como ferramentas para auxiliar as pessoas na elaboração de vidas mais livres e prazerosas. O grupo de terapia funciona como um laboratório social, no qual desenvolvemos uma analítica libertária do comportamento de cada um a partir da relação junto ao outro. Com isso, se busca formular entendimentos que auxilie cada pessoa a perceber seus próprios jogos de poder, engendrados no comportamento. A originalidade da Soma vem daí: uma proposta terapêutica que fomenta a noção criação e afirmação de si, em que a construção das práticas de liberdade é o antídoto para combater a neurose gerada pelas relações sociais hierarquizadas.
Nesta conversa, procuraremos abordar os desafios para uma “psicoterapia anarquista” nos dias de hoje: quais os sentidos e possibilidades de, em nossos dias conturbados, colonizados por um neoconservadorismo que imbeciliza, terapeutizar para a liberdade?
Com João da Mata.

19/11. AnarcoGênero – Diálogos por uma descolonização do Feminismo
Quais corpos cabem no Feminismo? E de que Feminismo falamos quando respondemos a pergunta? O encontro busca cartografar o diálogo entre o movimento Feminista e as múltiplas expressões e identidades de gênero a partir de uma investigação dos Feminismos descoloniais de Abya Ayala. Nos últimos anos, os chamados movimentos identitários (Feminista, Negro, Indígena, LGBTQI) tiveram - em diferentes proporções – suas pautas amplamente disseminadas pelas redes sociais. A macropolítica tem se mostrado hostil a essas agendas, não só pelo atual contexto político, mas também por sua estrutura fundadora. Nesse sentido, a micropolítica se apresentada como um território onde a potência fértil e libertária desses movimentos pode emergir. Apresentação das matrizes teóricas e práticas de dois movimentos: o Feminismo Comunitário de Abya Ayala e a Escola de Abya Ayala para que as pessoas participantes e as facilitadoras possam dialogar sobre essa potência e as possíveis brechas coletivas de atuação. Como suporte, as facilitadoras ainda trarão outros referenciais históricos e experiências de pesquisa-ação-luta que acharem pertinente.
Com Lívia Ascava e Helena Silvestre.

26/11. AnarcoEconomia – Alimentação e economia disruptivas
Nesse encontro, vamos desenvolver a conexão entre uma racionalidade ancestral e as escolhas cotidianas de consumo. O que se pode fazer e qual é o limite da política do que comemos. O Instituto Feira Livre é uma experiência que tem quase 2 anos de vida. Neste encontro trataremos das múltiplas cadeias que atingimos com essa experiência e quanto isso pode interferir no cotidiano das pessoas, a partir de afetos políticos. Discutiremos: o estado atual da produção sem agrotóxicos no Brasil a partir da comercialização; o que move as pessoas a consumir alimentos sem agrotóxicos?; a pesquisa do Instituto Kairós; as experiências de uma pequena rede: Instituto Feira Livre, Instituto Chão, Instituto Baru e Armazém do Campo, o que têm em comum?; a comercialização na história de indígenas e quilombolas; para além do consumo, práticas comunitárias, disruptivas e de resistência na cidade.
Com Fabrício Muriana Arêa Lima.

3/12. AnarcoEducação - Educação fora da escola: Educação, Arte e Comunicação - direitos de todas as pessoas!
Apresentação do percurso do Trecho 2.8 - criação e pesquisa em comunicação, projeto de educação não escolar, desenvolvido, desde 2010, com adultos em situação de alta vulnerabilidade social, na cidade de São Paulo. Embora seja uma palavra associada, de imediato, à função formativa de incumbência da família e da escola, Educação é um fenômeno que não se limita a essas instituições. Do mesmo modo, ultrapassa a concepção de que resulte da condução de alguém por outro, mais maduro e experiente. Nesta apresentação tomaremos o sentido do termo como “ato ou processo de educar(-se)”, ou seja, uma educação que não é oferecida para o outro, mas, antes, que se realiza com outro. A partir da ação direta na construção do Trecho 2.8 – criação e pesquisa em comunicação, um projeto que une Educação, Arte e Comunicação, recordaremos momentos vividos pelo grupo, esperando não apenas narrar, muito menos enaltecer o que estamos realizando, mas compartilhar sonhos e desassossegos que continuam nos movendo. Vamos ilustrar nossa fala com criações fotográficas e programas de rádio realizadas pelos participantes, para desencadear conversa sobre educação e produção coletiva de comunicação.
Com Grácia Lopes Lima, Alessandro Kusuki e Adriano Monteiro de Castro.

Mediação e curadoria: Donizete Soares.

As inscrições pela internet podem ser realizadas até um dia antes do início da atividade. Após esse período, caso ainda haja vagas, é possível se inscrever pessoalmente em todas as unidades. Após o início da atividade não é possível realizar inscrição. O cadastro é pessoal e intransferível.

Se você necessita de recursos de acessibilidade, como tradução em Libras, audiodescrição, entre outros, solicite por e-mail ou telefone, com até 48 horas de antecedência do início da atividade. centrodepesquisaeformacao@sescsp.org.br / 11 3254-5600

(Arte: Divulgação)

Palestrantes

Adriano Monteiro de Castro

Adriano Monteiro de Castro

Biólogo e professor, com mestrado e doutorado pela FE-USP. Corresponsável pelo Projeto Trecho 2.8 - criação e pesquisa em comunicação.
(Foto: Acervo Pessoal)

Alessandro Kusuki

Alessandro Kusuki

Fotógrafo. Corresponsável pelo Projeto Trecho 2.8 - criação e pesquisa em comunicação.
(Foto: Acervo Pessoal)

Donizete Soares

Donizete Soares

Professor de filosofia, formado pela Faculdade de Filosofia Nossa Senhora Medianeira; com especialização em Filosofia das Ciências Humanas pela PUC-SP. Autor de “Educomunicação – o que é isto”, “Meios de Comunicação”, “Ideias Libertárias” e “Pra discutir – e gerar boas conversas por aí”, entre outros. Co-fundador do INSTITUTO GENS de Educação e Cultura [1988].
(Foto: Acervo Pessoal)

Fabrício Muriana Arêa Lima

Fabrício Muriana Arêa Lima

Formado em Comunicação Social pela Faculdade Cásper Líbero e Filosofia, pela Faculdade de Filosofia Letras e Ciências Humanas da USP, onde também se licenciou na disciplina. Tem pós-graduação em Criação de Imagem e Som em Meios Eletrônicos pelo Senac-SP, e é mestre em Mudança Social e Participação Política pela Escola de Artes Ciências e Humanidades da USP.
(Foto: Acervo Pessoal)

Grácia Lopes Lima

Grácia Lopes Lima

Professora, Mestra em ciências da comunicação (ECA/USP), Doutora em educação (FEUSP), corresponsável pelo Instituto GENS de Educação e Cultura, Projetos Cala-boca já morreu e Trecho 2.8 - criação e pesquisa em comunicação projeto envolvido  diretamente com a Luta antimanicomial e o Movimento de democratização da mídia.
(Foto: Acervo Pessoal)

Helena Silvestre

Helena Silvestre

Militante das lutas do território nas periferias do Brasil e mais que tudo em São Paulo. Escreve, canta, toca, dança e fala mais do que deveria. Comunista libertária, feminista afro-indígena e favelada.
(Foto: Acervo Pessoal)

João da Mata

João da Mata

Psicólogo, mestre em Filosofia, doutor em Psicologia (UFF) e em Sociologia (Univ. de Lisboa), com pós-doutorado em História pela UFF. Trabalha com a Soma há mais de 25 anos. Autor de “Corpo-História e Resistências Libertárias”, entre outros.
(Foto: Acervo Pessoal)

Lívia Ascava

Lívia Ascava

Gestora, articuladora, pesquisadora e facilitadora de projetos políticos. Atuou por quase dez anos na agenda da Cultura Digital, Software Livre, Transparência Pública e Dados Abertos. Foi integrante dos coletivos Casa da Cultura Digital e Ônibus Hacker. E desde 2016 atua na agenda feminista, com especial foco aos movimentos feministas latino-americanos, e à chegada do movimento Feminismo Comunitário de Abya Ayala no Brasil.
(Foto: Acervo Pessoal)

Lúcia Silva Parra

Lúcia Silva Parra

Integrante do Centro de Cultura Social, doutoranda em Educação na Faculdade de Educação da Universidade de São Paulo. Bibliotecária na Universidade Estadual Paulista, autora de “Leituras libertárias: cultura anarquista na São Paulo da década de 1930 (CCS, 2017).
(Foto: Acervo Pessoal)

Bibliografia

Bibliografia 1º Encontro
AVELINO, Nildo. Anarquistas: ética e antologia de existências. Rio de Janeiro: Achiamé, 2004.
CUBERO, Jaime. Jaime Cubero: seleção de textos e entrevistas. São Paulo: CCS, 2015

Bibliografia 2º Encontro
MATA, JOÃO da. Prazer e Rebeldia - O Materialismo Hedonista de Michel Onfray. 01. ed. Rio de Janeiro: Achiamé, 2007. v. 1. 148p .
FREIRE, Roberto. Sem tesão não há solução. 4. ed. Rio de Janeiro: Guanabara, 1987

Bibliografia 3º Encontro
Julieta Paredes. El Tejido de La Rebeldia - Que és el Feminismo Comunitário? Bases para la Despatriarcalizacion
Julieta Paredes . El desafio de la despatriarcalizacion. Entramado para la liberacion de los pueblos

Bibliografia 4º Encontro
DANOWSKI, Déborah. Há mundo por vir? Ensaio sobre os medos e os fins; Déborah Danowski e Eduardo Viveiros de Castro. Desterro [Florianópolis]: Cultura e Barbárie. Instituto Socioambiental 2014.
KOPENAWA, Davi; ALBERT, Bruce. A queda do céu: palavras de um xamã Yanomami. São Paulo: Cia. das Letras, 2015

Bibliografia 5º Encontro.
"Detalhes de um percurso''. Grácia Lopes Lima. In: Fluxos Culturais, Arte, Educação, Comunicação e Mídias. 2017. Disponível na página 317,
BARROS, Manoel. Memória inventadas. São Paulo: Editora Planeta, 2003.
 
Bibliografia geral
WOODCOCK, G. Os grandes escritos anarquistas. Porto Alegre: L&PM Editores, 1981.
Raquel Stela de Sá Siebert… [et al.]. Educação Libertária: textos de um seminário. Rio de Janeiro: Achiamé, Florianópolis: Movimento Centro de Cultura e Autoformação, 1996. 208 p.; (Livros livres; 3).

Data

05/11/2019 a 03/12/2019

Dias e Horários

Terças, 15h30 às 18h.

As inscrições podem ser feitas a partir de 29 de outubro, às 14h, aqui no site do Centro de Pesquisa e Formação ou nas Unidades do Sesc em São Paulo.

Local

Rua Dr. Plínio Barreto, 285 - 4º andar
Bela Vista - São Paulo.

Valores

R$ 18,00 - credencial plena: trabalhador do comércio de bens, serviços e turismo matriculado no Sesc e dependentes
R$ 30,00 - pessoa com mais de 60 anos, pessoa com deficiência, estudante e professor da rede pública com comprovante
R$ 60,00 - inteira