Curso Presencial
Isso é Uma Guerra: Diálogos Sociopolíticos no Rap do Facção Central
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Programa
"A célebre escritora norte-americana Toni Morrison relata que, na década de 1950, quando ainda era estudante, considerava constrangedor ser chamada de escritora “politizada”. Em Sula (1973), ela rememora o temor do escárnio da crítica diante de uma produção artística voltada às questões sociais — um medo tão intenso que a levava a questionar: por que esse pânico? O que poderia haver de tão problemático em ser socialmente perspicaz e politicamente consciente na literatura? Para Morrison, persiste a crença de que a ficção política não é arte; de que obras atravessadas pela política teriam menor valor estético, já que a política, entendida como plano de ação, macularia a criação artística.
Na atualidade, no contexto da escuta e da recepção do rap, que problemáticas emergem a partir da circulação de narrativas que negam o teor político dessa expressão musical? Quais disputas estão em jogo na construção de sentidos sobre o papel da voz política no contexto do hip-hop, considerando suas expressões artísticas?
O curso propõe uma reflexão crítica sobre o papel da arte urbana produzida nas periferias, tomando a cultura hip-hop como eixo privilegiado de análise no contexto brasileiro.
A partir desse enfoque, serão exploradas temáticas como necropolítica, justiça, sistema prisional, racismo estrutural, experiências periféricas e desigualdades sociais, articulando-as às narrativas, sonoridades e estéticas presentes em diferentes produções artísticas. Ao longo dos encontros, busca-se examinar não apenas os conteúdos expressos nessas obras, mas também seus modos de construção, circulação e impacto, situando-as como formas legítimas de interpretação e intervenção na realidade social.
Desse modo, o curso pretende ampliar o repertório crítico e analítico dos participantes, articulando dimensões estéticas, políticas e teóricas da produção artística. Nesse percurso, confere-se especial atenção ao potencial da música — particularmente o rap — e da dança — com destaque para o breaking — como linguagens capazes de tensionar, narrar e ressignificar as dinâmicas sociais no Brasil contemporâneo.
Programa
20.05. Aula 1. Se toda arte é política, pode o rapper produzir discurso politizado?, com Janaína Machado
27.05. Aula 2 . O corpo como discurso, estética e política na cultura hip-hop, com JeffSuatitude.
03.06. Aula 3 Estética e política no beat: a forma sonora do rap, com Guilherme Botelho
As inscrições podem ser feitas a partir das 14h do dia 28/4 no site do Centro de Pesquisa e Formação do Sesc ou através do nosso app.
Após o início da atividade não é possível realizar inscrição. O cadastro é pessoal e intransferível.
O pagamento pode ser feito através do cartão de crédito, débito ou em dinheiro. Trabalhamos com as bandeiras Visa, Mastercard, Elo e Hipercard.
Ao término do curso, você poderá solicitar sua declaração de participação pelo e-mail declaracao.cpf@sescsp.org.br
A declaração será encaminhada em até 30 dias
O cancelamento poderá ser realizado com até 48 horas antes do início da atividade, por email: atendimento.cpf@sescsp.org.br
Foto: Divulgação/ IA
Palestrantes
Guilherme Botelho
É pesquisador, bacharel em História pela PUC-SP e mestre em Estudos Culturais Brasileiros pelo Instituto de Estudos Brasileiros da USP , com título de Filósofo. É autor do livro Quanto Vale o Show? O Fino Rap de Athalyba-Man. Atua como pesquisador, com trabalhos nas áreas de audiovisual, música e cultura urbana. Entre seus projetos, destacam-se a pesquisa e direção do documentário Nos Tempos da São Bento; a assistência de pesquisa na série O Enigma da Energia Escura (LAB Fantasma), indicada à shortlist do New York Festivals 2022 TV & Film Awards; a pesquisa e checagem de fatos no documentário Racionais MC’s: das ruas de São Paulo para o mundo; além da atuação como pesquisador nos documentários Chic Show (Globoplay) e na série Música Preta Brasileira (Rede Globo), exibida no Fantástico.
(Foto: Acervo Pessoal)
Janaína Machado
É pesquisadora, curadora educativa, educadora e Mestra em Estudos Étnicos pela UFBA com a defesa da pesquisa "Radiografias Epistêmicas: Poéticas Políticas Negras na Bienal de São Paulo“, (2023) e Bacharel em Letras pela USP (2007). É autora do artigo “Rimo, logo, penso” do capítulo Estética e Política do livro “Racionais MC´s: Entre o Gatilho e a Tempestade” pela editora Perspectiva e o artigo “Mediação cultural no cruzo da abordagem das relações étnico-raciais”, publicado no livro “Mediação Cultural em pauta: Diálogos entre educação, arte e cultura”, do Instituto Arte na Escola (2024) e o artigo “Não Somos Fãs de Canalha: poéticas políticas afrodiaspóricas na 34ª Bienal de São Paulo” pela Revista Caos- Dossiê Poéticas afrodiaspóricas: Abordagens interdisciplinares (2021). É integrante do grupo de pesquisa Curadoria e Educação do Projeto Museu como Encruzilhada e na Encruzilhadas.
(Foto: Acervo Pessoal)
JeffSuatitude
É dançarino da Posse Suatitude, pesquisador, antropólogo, mestre e doutorando pela Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas / FFLCH/ USP. Atualmente realiza pesquisas sobre as corporalidades e práticas urbanas. Praticante de aikidô e capoeirista angoleiro Atua como pesquisador-associado ao Laboratório do Núcleo de Antropologia Urbana LabNau/ USP. Em sua trajetória desenvolveu atividades como arte-educador no Programa Fábricas de Cultura e Coordenador Territorial no Programa Vocacional
Data
20/05/2026 a 03/06/2026
Dias e Horários
De 20/5 a 3/6,
quartas,
das 19h às 21h30