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Segunda edição

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Metamorfoses - A alma brasileira na pandemia

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Programa

A ideia do ciclo Metamorfoses - a alma brasileira na pandemia é dar continuidade ao ciclo Metamorfoses - Pensar o mundo em tempos de pandemia, realizado em outubro de 2020, analisando as reflexões realizadas e encontrando as conexões entre os temas sugeridos e o momento atual, em que a pandemia avança por mais de um ano. Agora em outra etapa, dando vazão às "células imaginativas", ao mundo do vir a ser, do que está por emergir.

Para a compreensão das metamorfoses ainda em andamento, há que consolidar conceitos e ideias, agora com novos convidados, provocando reflexões e propondo caminhos desejáveis. O alinhavo entre o primeiro ciclo e os novos encontros dar-se-á pela presença dos cinco curadores em cada uma das mesas, com a função de mediação reflexiva a cada novo encontro.
 
Enquanto o primeiro ciclo teve um caráter mais de identificação das transformações em curso, como uma fotografia, o novo ciclo deverá ter um caráter mais propositivo; em dois campos: propostas e práticas já em curso e aquelas ainda não realizadas, mas como potencial para gerar esperanças e utopias.

Programação:
Mesa 1 - 15/6 (Abertura)
19h - Em busca de alguma luz nesta bruta escuridão

O coronavírus é perigosíssimo, mas não se fala da fome endêmica como uma pandemia letal criada pela falta de compaixão. A pobreza mata mais do que a peste ou a guerra.

A pobreza e a fome são um vírus exterminação de fabricação humana. As fortunas bilionárias crescem durante a pandemia, enquanto, no Brasil e em muitos outros países do assim chamado Terceiro Mundo, a pobreza desce para o terrível terreno da miséria. Já é hora de reconhecermos que a cruel desigualdade social é mais mortífera do que o vírus ou a bomba nuclear. Sem conexão de alma, perdemos nosso lugar entre os seres da Criação. Somos seu produto, mas preferirmos crer que somos seu artífice.

Estamos vivendo uma desertificação da alma brasileira e de sua voz.

Convidado: Roberto Gambini.


Mesa 2 - 16/6

19h - Em busca das virtudes brasileiras

Um esforço em desvelar as riquezas da Alma Brasileira na prática, reconhecê-las e difundi-las, fomentando ações, gerando sentimento de pertencimento, a ética da responsabilidade, em que todos se percebam como corresponsáveis pelos acontecimentos e pelos caminhos futuros do país. Quais mudanças internas e externas precisaríamos fazer?

A cura da alma requer o contato direto com suas feridas.

O amor ao país requer que cultivemos o amor próprio e o amor ao próximo. Que virtudes reconhecemos em nós? Quais virtudes o olhar externo reconhece em nós? Quais virtudes precisamos desenvolver? Proposta para um novo começo de caminhada em conjunto, gerando conhecimentos novos e apropriáveis a revelarem as riquezas da
brasilidade.

Como a nação irá cicatrizar as suas feridas?

Convidado: Eduardo Rombauer.
Mediador/debatedor: Américo Córdula.


Mesa 3 - 22/6

19h - Bem Viver: o modo bom de viver na casa

Bem viver é uma filosofia e sabedoria ancestral, que consiste na forma de ver e viver o mundo, em harmonia consigo, com os outros, a natureza e o cosmos. O “humano-mercadoria”, como cunhou Davi Kopenawa, encontrou no desenvolvimento material a sua religião, e no dinheiro, a sua divindade. Usando o planeta, ou a casa que deveria ser comum, a serviço de seus próprios interesses, o modelo civilizatório chegou ao ponto de incendiar a sua própria casa, adotando um modo voraz de viver, que gerou o maior de todos os dramas que ainda não se revelou plenamente: as mudanças climáticas, que seguem em agravamento, mesmo em tempo de pandemia global.

A humanidade, perdeu, assim, o modo bom de viver na casa. As cosmovisões ancestrais ameríndias (sumak kawsay/bien vivir, em quéchua; ou suma qamaña/vivir bien, em aimará; ou o teko porã/bem viver, dos guarani), inspiram outras formas de ver e estar no mundo e
novos cuidados: o corpo, o espírito, relações mais harmônicas com a natureza, rituais de cura, de mudanças, de idades, processos educativos, a saúde, a vida comunitária, o sonho, o respeito pelos anciãos, o uso do tempo, a arte e as poéticas da vida. Essa ética ancestral é patrimônio coletivo da Pachamama e da Casa Comum. Em diálogo com a ética do
Bem Viver, surgem experiências urbanas e rurais com poder de mudança: economias solidárias, da reciprocidade, economias de vizinhança, valores e práticas de convivência, florestas urbanas, hortas comunitárias, bancos e moedas locais, hortas urbanas, cooperativas, coletivos artísticos, movimentos pela vida da comunidade dos seres vivos, etc. Essa mesa objetiva prospectar e conectar esses outros modos de ser voltados para o bem comum. São saberes que se expandiram durante a pandemia, junto à percepção de que é necessário ouvir mais sobre as experiências dos povos originários e as vivências comunitárias que buscam outros caminhos para a vida em sociedade.

Como o perspectivismo ameríndio pode nos ensinar a enxergar e questionar nosso mundo ameaçado de extinção?
Produção/exibição de vídeo sobre o Bem Viver na aldeia guarani no rio Silveira (entre Bertioga e São Sebastião – estado de São Paulo), realizado pelo cineasta indígena e morador da aldeia, Carlos Papá. Isso porque o Bem Viver compreende a vivência. Na sequência do vídeo, abre-se o debate.

Convidada: Cristine Takuá.
Debatedor: Célio Turino.
Mediação: Tatiana Amaral.


Mesa 4 - 23/6

19h - Geração de renda e novas economia

A pandemia tem acelerado processos econômicos, que estão passando por radicais transformações, podendo consolidar novas formas de trabalho, relações de produção e de troca, exploração e acumulação.

O objetivo dessa mesa é prospectar propostas para mudanças de paradigmas nos modos de produção e consumo, formas de geração de renda e economia que apontem para relações justas de trabalho e produção, que sejam sustentáveis e não causem dano ao ambiente.

Serão abordados temas como: Economia Solidária, Economia de Francisco e Clara, Economia Circular, processos colaborativos e criativos na produção, o compartilhamento e a redução (até a completa eliminação) de resíduos e novas formas comunitárias de produção e administração dos recursos. Economias com alma, em que a vida e a sustentabilidade sejam os objetivos primeiros.

As novas formas de produzir valor, com a conservação do planeta, capacitação e proteção das pessoas, criação e compartilhamento de conhecimento.

Convidado: Ryoichi Oka Penna.
Debatedora: Silvana Bragatto.
Mediaçõ: Midiã Cláudio.


Mesa 5 - 29/6

19h - Construir a Cultura de Paz

A Cultura de Paz ganhou relevância nos últimos 20 anos como manifestação da consciência crescente de que a sociedade e as formas de vida podem sucumbir diante a violência física, cultural/simbólica e estrutural. Se não encontrarmos com urgência caminhos de não violência que transformem conflitos étnicos, raciais, de gênero, geopolíticos, militares e civis, através de tecnologias de convivência com diálogos, negociação, mediação, a cooperação, a comunicação não violenta, educação e cultura caminharemos a passos largos para a desagregação civilizatória.

A paz não é submissão, adesão ao mais forte, sujeição à dominação, manipulação, indiferença ou violência, é proativa; para sua realização será necessário reconhecer e aceitar a diferença e a diversidade, escutar os outros, o equilíbrio de gênero e raça, a reinvenção da solidariedade, a defesa dos direitos humanos e da natureza, resultando na redescoberta de uma vida mais simples e saudável, com justiça e a defesa incondicional da vida e do planeta.

Esta mesa pretende sugerir propostas de experiências já em curso para sedimentar caminhos para uma cultura de paz e não-violência: o papel das redes de convivência, tecnologias de Convivência, educação para a paz na família, na comunidade e na escola. Ouvir para compreender.

A paz ambiental e com a natureza. Solidariedade. A capacidade de sonhar
um mundo de paz.

Convidada: Lia Diskin.
Mediador/debatedor: Hamilton Faria.

Mesa 6 - 30/6
19h - A escuta e a sabedoria das perguntas

“Vivendo, se aprende; mas o que se aprende, mais,
é só fazer outras maiores perguntas”
João Guimarães Rosa

Tempos de incerteza, a pandemia resulta em uma sensação de não saber o que poderá vir. Alguns falam de futuros terríveis – pandemias, crise civilizatória em grande escala, autodestruição, guerras, desemprego, fome; outros, da emergência de novas formas de viver, novas utopias, esperança.
O certo é que as narrativas possíveis se perderam na poeira do tempo e desamparo.
Hora das perguntas e sua sabedoria milenar, ancestral e oracular.

Mais do que respostas imediatas nesta mudança de tempo são as perguntas certas que geram dúvidas, caminhos e sonhos de futuro. Afinal, o que é ser humano hoje? É possível evitar a destruição da vida? A história não se repete? O poder está fadado a ser “dominação de uns sobre outros”? O individualismo sempre vence? É possível cooperar sem competir? Como construir um paradigma de vida simples e pensamento elevado? É possível criar coletivamente poéticas da vida e reencantar o mundo? O que precisa mudar para a uma vida feliz em sociedade, e desta com a natureza e o cosmos? São grandes perguntas, muitas sem respostas claras, outras com experiências vividas que podem indicar caminhos e respostas.

A ideia dessa mesa é provocar escutas, perguntas e reflexões. A difícil arte da escuta, a dimensão do feminino na arte das perguntas e da escuta. A escrita de ouvido. A arte da pergunta.

Convidada: Marilia Librandi.
Mediador/debatedor:  Antônio Martins.

Obs: O participante precisa ter celular e computador e conhecer os princípios básicos para uso desses equipamentos. Após a conclusão da sua inscrição on-line na atividade e/ ou curso, você receberá por e-mail um link de acesso à Plataforma Zoom, onde será realizada a atividade e/ou curso, com até 1 (um) dia de antecedência da data de início. O acesso também poderá ser realizado através do web navegador de sua preferência.

Os encontros em ambiente on-line não são gravados, não sendo disponibilizados seus registros para posterior visualização.

As inscrições podem ser feitas a partir das 14h do dia 27/5, aqui no site do Centro de Pesquisa e Formação do Sesc. Após o início da atividade não é possível realizar inscrição. O cadastro é pessoal e intransferível.

O pagamento dever ser feito através do cartão de crédito, e trabalhamos com as bandeiras Visa, Mastercard, Elo e Hipercard.

*Este curso será 100% Online. A declaração será enviada automaticamente em até 10 dias após a finalização da atividade e caso isso não ocorra, você poderá solicitar pelo e-mail: declaracao.cpf@sescsp.org.br

**Se você necessita de recursos de acessibilidade, como tradução em Libras, faça a solicitação pelo e-mail centrodepesquisa.cpf@sescsp.org.br, justamente após a conclusão e efetivação do pagamento de sua inscrição, e com pelo menos 48 horas de antecedência do início da atividade.


(Arte: Walter Cruz)

Palestrantes

Américo Córdula

Américo Córdula

Ator, formado em Ciências da Computação pela Universidade Mackenzie, mestrando no Programa de Pós-Graduação Humanidades, Direitos e Outras Legitimidades na FFLCH/USP. Ex-Secretário de Identidade e Diversidade Cultural e de Políticas Culturais no Ministério da Cultura (2205-2015). Especialista em políticas culturais, professor no Curso de Extensão em Gestão Cultural na PUC-SP e proprietário da Consultoria Córdula Responsabilidade Cultural.
(Foto: Acervo Pessoal)

 

 

Lia Diskin

Lia Diskin

Escritora, cofundadora e mentora da Associação Palas Athena, de programas educacionais e sócio assistenciais multidisciplinares e multiculturais no Brasil e exterior, pelos quais recebeu inúmeras premiações nas áreas de Direitos Humanos, Ética e Cultura de Paz.
(Foto: Acervo Pessoal)

Cristine Takuá

Cristine Takuá

Filósofa formada pela UNESP-Marília, poeta e professora indígena, moradora na aldeia do Rio Silveira, tem profundas reflexões sobre a filosofia ameríndia e campos de invisibilidade de sabedorias ancestrais.
(Foto: Acervo Pessoal)

 Midiã Cláudio

Midiã Cláudio

Graduada em Artes Visuais, Especialista em Artes, Ecologia e Sustentabilidade, Assistente da Gerência de Sustentabilidade e Cidadania do Sesc São Paulo.
(Foto: Acervo Pessoal)

Roberto Gambini

Roberto Gambini

Cientista social e advogado, com mestrado na Universidade de Chicago e analista formado pelo Instituto C.G.Jung de Zurique. É autor, entre outros, de Espelho Índio – A Formação da Alma Brasileira; entrevistado pela jornalista Lucy Dias, publicou Outros Quinhentos – Uma Conversa sobre a Alma Brasileira, sendo seu último livro A Voz e o Tempo – Reflexões para Jovens Terapeutas. Em 2009 recebeu o prêmio Jabuti, 1º lugar na categoria Educação, Psicologia e Psicanálise, pelo livro "A voz e o tempo", publicado pela Ateliê Editorial.
(Foto: Acervo Pessoal)

Eduardo Rombauer

Eduardo Rombauer

Profissional de Desenvolvimento Organizacional e Social com sólida experiência, autor do livro “O vazio do poder” “combinando utopia com pragmatismo, saberes tradicionais e ciência, convicções firmes e vontade de aprender”, conforme palavras do filósofo e economista Eduardo Gianetti).
(Foto: Acervo Pessoal)

Célio Turino

Célio Turino

Historiador, escritor e consultor e políticas públicas. Trabalhou em diversas funções públicas, entre as quais, secretário da cidadania cultural no Ministério da Cultura, 2004/10, quando foi responsável pela formulação e implantação do programa Cultura Viva e dos Pontos de Cultura no Brasil, que alcançaram 3.500 comunidades em 1.100 municípios, com mais de 8 milhões de pessoas beneficiadas. Desde 2011 se dedica à difusão da Cultura Viva e dos Pontos de Cultura pela América Latina. Autor de diversos livros e ensaios, publicados no Brasil e no exterior, o mais recente, POR TODOS OS CAMINHOS - Pontos de Cultura na América Latina, pelas Edições SESC.
(Foto: Acervo Pessoal)

Ryoichi Oka Penna

Ryoichi Oka Penna

Fundador do Instituto Anga, é um jovem ativista com atuação na capacitação de lideranças jovens para atividades de impacto social e comunitário, é presidente da Confederação Brasileira de Empresas Juniores.
(Foto: Acervo Pessoal)

Silvana Bragatto

Silvana Bragatto

Doutora em Nutrição Humana Aplicada pela USP. Mestre em Engenharia de Produção pela Universidade Paulista. Graduada em Engenharia de Alimentos pela UNICAMP. Planejou e implementou o sistema de controle de qualidade e fiscalização dos estoques governamentais de grãos. Coordenou o acompanhamento quanti-qualitativo de carne bovina congelada importada pelo Governo Federal e depositadas em várias unidades frigoríficas no Estado de São Paulo. Coordenou o acompanhamento das atividades dos laboratórios de controle de qualidade da CONAB – Companhia Nacional de Abastecimento e conveniados. Prestou serviço de assistência técnica ao Programa Mundial de Alimentos – PMA / FAO. Autora de diversos artigos acadêmicos, tendo recebido prêmio como melhor trabalho da área de qualidade por artigo apresentado e publicado no VII International Conference on Industrial Engineering and Operations Management – 2001. Especialista em Economia Circular e sistemas de produção e aquisição de alimentos da agricultura familiar.
(Foto: Acervo Pessoal)

Hamilton Faria

Hamilton Faria

Poeta, publicou vários livros de poesia e cultura. Coordenou por mais de duas décadas a área de cultura do Instituto Polis e foi cofundador, diretor e presidente desta instituição. De 1994 a 2004 coordenou o Forum Intermunicipal de Cultura/FIC, junto com o Sesc/SP e em 2008 criou o Pontão de Cultura de Paz. Foi também professor titular na Faculdade de Artes Plásticas da Faap. Atualmente é consultor cultural e de eventos poéticos e integrante do Instituto Casa Comum. (ICC).
(Foto: Acervo Pessoal)

Marilia Librandi

Marilia Librandi

Escritora e professora de literatura brasileira, atualmente professora na Universidade de Princeton/EUA e colaboradora no núcleo Diversitas/USP, foi professora na Universidade de Stanford, autora de diversos livros e ensaios, o mais recente “Escrever de Ouvido – Clarice Lispector e os romances da escuta (Relicário Edições)”.
(Foto: Acervo Pessoal)

Antonio Martins

Antonio Martins

Jornalista e editor do site Outras Palavras – voltado ao exame da globalização, de grandes temas brasileiros e, em especial, à construção das lógicas sociais póscapitalistas. Foi fundador da edição brasileira do Le Monde Diplomatique e participou da construção de outras iniciativas de mídias livres, como Carta Maior e Ciranda. Integrou, pelo movimento ATTAC, o grupo de organizações brasileiras que lançou, em 2001, o Fórum Social Mundial, sendo integrante de seu Conselho Internacional".
(Foto: Acervo Pessoal)

Tatiana Amaral

Tatiana Amaral

Graduada em Ciências Sociais pela USP, mestra em Antropologia Social pela UFSCar, Assistente Técnica da Gerência de Estudos e Programas Sociais do Sesc São Paulo.
(Foto: Álvaro Romão)

Data

15/06/2021 a 30/06/2021

Dias e Horários

Terças e Quartas, 19h às 21h.

Curso 100% online

Inscrições a partir das 14h do dia 27/5, até o dia 11/6.
Enquanto houver vagas.

Local

Plataforma Zoom

Valores

R$ 18,00 - credencial plena: trabalhador do comércio de bens, serviços e turismo matriculado no Sesc e dependentes
R$ 30,00 - pessoa com mais de 60 anos, pessoa com deficiência, estudante e professor da rede pública com comprovante
R$ 60,00 - inteira