Atividades

Ancestralidades anárquicas que nos ensinam sobre a arte de corpar

Curso Presencial
Metamorfoses Queer

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Programa

É uma tarefa complexa identificar a origem do termo queer. Algumas pesquisas remontam ao século XVI na Inglaterra, quando queer significava tudo que era esquisito e fora do padrão e não necessariamente relacionado a questões de gênero, como é amplamente usado hoje. Neste viés das excentricidades (no sentido daquilo que está fora do centro) queer também vinha sendo discutido amplamente fora do Ocidente, no entanto, partindo de outros parâmetros de moral e/ou normalidade.

Este ciclo se dedica a pensar um aspecto que parece comum entre o queer ancestral e o queer contemporâneo: a metamorfose. Com a colaboração de convidados que pensam metamorfose a partir de princípios bem distintos entre si, indagaremos como um corpo se metamorfoseia em outro(s) desafiando a lógica um ou outro (por exemplo homem ou mulher) para afirmar a potência da multiplicidade e dos atravessamentos que marcam os movimentos trans.

Há terminologias e mitos queer na antiga Babilônia, na China, no Japão, na cultura Asteca e em inúmeros rituais africanos, focados no momento em que um corpo corpa outro. Algumas tradições artísticas seculares também testaram esses processos de metamorfose, como é o caso dos atores onnagata do teatro kabuki que, desde o início do século XVII personificam corpos femininos. Além dos exemplos históricos, vamos apresentar um ziguezague de tempos e lugares com experiências de tecnoxamanismo, performances, poesias e ballrooms que nos ensinam sobre a potência poética das metamorfoses para imaginar mundos menos sectários.

Programação
25/4
10h30 às 11h30 – Abertura
A gênese ancestral da cultura queer, focando no que podemos aprender a partir de cosmologias não-ocidentais.
Com Christine Greiner.

11h30 às 12h30 - As Histórias Originárias dos Antigos Caminhos Queer
Nesta palestra, assim como no livro que o inspirou (Antigos Caminhos Queer), Zairong defende um profundo desaprendizado das categorias coloniais/modernas como um caminho para a descoberta de novas formas e teorias queer, a partir das suas fontes mais antigas. É um exercício para aprender a partir de cosmologias não-ocidentais e não-modernas, traçando várias "histórias de origem" e examinando criticamente o interesse renovado nos mitos da criação na arte contemporânea e na teoria crítica. Zairong apresentará também, brevemente, o seu projeto atual sobre o transdualismo yin-yang que também foi desenvolvido a partir do livro que será lançado durante o seminário.
Com Zairong Xiang.
Mediação: Christine Greiner.

12h30 às 14h – Almoço

Quando um corpo corpa outro - o período da tarde irá focar na metamorfose relacionada à incorporação e o devir outro, a partir de uma rede de conhecimentos que transita por fabulações travestis, mandingas e tecnoxamanismos.

14h às 15h - Fabulações travestis sobre o fim
A apresentação irá abordar desde a cosmopercepção travesti, as interjeições especulativas altamente publicizadas durante a pandemia do novo coronavírus de "fim do teatro", "fim do gênero", "fim da espécie humana" e "fim do mundo", procurando apreender a operatividade econômico-filosófica curatorial do apocalipse e a curabilidade do fim. Almeja-se compreender os limites do corpo, da raça, do gênero e da cena para além do dilema da escassez de capital, tendo em vista o alargamento das dimensões cronológicas lineares da branquitude e da cisgeneridade.
Com Dodi Leal.
Mediação: Christine Greiner.

15h às 16h - Tudo que a boca come e o corpo dá - incorporações e mandingas.
O filósofo afro-brasileiro e mestre da capoeiragem Vicente Ferreira Pastinha, ao ser questionado sobre a natureza e os sentidos do jogo de corpo, a atou no seguinte aforismo: seu princípio não tem método, seu fim é inconcebível ao mais sábio dos capoeiristas. Capoeira é tudo que a boca come e tudo que o corpo dá. Ao pensar a capoeira, Pastinha avança em questionamentos feitos em outros contextos e convoca ao diálogo um princípio explicativo vernacular das tradições negro-africanas recodificadas.
Com Luiz Rufino.
Mediação: Christine Greiner.

16h30 às 18h - Tecnoxamanismo: Clínica Social para o Futuro
O Tecnoxamanismo se configura como uma rede que articula vários campos de conhecimentos, entre eles, cultura digital, agrofloresta, arte e ciência, indigenismo e saúde coletiva. Desde 2011, Fabiane M. Borges tem organizado uma série de eventos desta rede, tanto no Brasil como no exterior, e, de forma específica, dentro deste escopo, tem desenvolvido um conjunto de metodologias clínicas para trabalhos em grupo como: “futuros Sequestrados X o antisequestro dos sonhos, sonhos pandêmicos (MacUnA), cosmogonias livres, rituais faça você mesmo, processos imersivos, sobrevivência e adaptação climática.” Nesta palestra a convidada apresenta alguns desses trabalhos e seus principais conceitos e técnicas (esquizoanálise, ancestrofuturismo, comunidade dos espectros, perspectivismo, redes de inconsciente, etc.).
Com Fabiane Borges.
Mediação Christine Greiner.

26/4
A potência da poesia e das performances para ativar as metamorfoses das subjetividades e decantar dores e sonhos.

10h30 às 11h30 - Tecnologias negras ancestrais do sonhar como ferramenta de (auto)descolonização
Orixás como Onira e Ewá têm, em sua mitologia, relação íntima com os sonhos, tanto o fenômeno que acontece quanto dormimos, quanto suas metáforas: transformação, jornada, morte, arte, transição. Que relações poemas contemporâneos de autoria negra LGBTQI+ podem ter com essa herança, quando abordam sonhos, o sonhar, e elaboram também formas outras de subjetividade contra os paradigmas coloniais da exaustão insone total (vigilância, medo, depressão)?
Com Tatiana Nascimento.
Mediação Christine Greiner.

11h30 às 12h30 A performance como “estudo queer”: uma sociopoética do movimento
Partindo de experiências artísticas recentes em dança e performance no Ceará, essa fala expande o já excepcionalmente fértil conceito de “estudo negro” (Fred Moten & Stefano Harney) para a esfera da sexualidade e da desordem de gênero. Se Moten e Harney identificam uma radical co-constituição do pensamento/conhecimento negro com a experimentação e com a sociabilidade-em-fuga, atenderemos de modo análogo para a força sociopoética da dissidência sexual e de gênero na medida em que esta funda mundos alternativos na forma fugitiva do movimento corporal. O “estudo queer” emerge assim como obra coreográfica, manancial dialético que ao mesmo tempo materializa e é materializado pela performance, ao mesmo social e poética, de corpos que prosperam naquilo que a artista e pesquisadora Isadora Ravena chama de “desordem” e “desorganização” não só do gênero, mas da própria linguagem.
Com Pablo Assumpção.
Mediação: Roberta Estrela D’Alva.

12h30 às 14h – Almoço

A potência das alteridades - a partir de duas conversas, o período da tarde apresentará experiências ativistas que partem da festa (especialmente ballrooms) e da convivialidade com diferenças que se contaminam e se metamorfoseiam na vida cotidiana.

14h às 16h15 - Amazônia Queer.
- A Ballroom Indígena, organizada pelo Coletivo Miriã Mahsã em parceria com a Casa Jabutt (do cenário Ballroom de Manaus e que possui apenas integrantes negros e indígenas), foi realizada na noite do dia 17 de novembro de 2023, em um galpão na Praça do Largo de São Sebastião, em Manaus. A ideia do evento surgiu após Pedro Tukano e Miriã Mahsã, Thaís Dessana, presenciarem a Ball Indígena realizada em Brasília durante o Acampamento Terra Livre (ATL), que é a maior mobilização do movimento indígena. A proposta foi adaptar o “evento gringo” para as vivências indígenas apresentando essa experiência para os parentes e amigos.
- Corpos indígenas e corpos queer como corpos que referenciam a resistência. O que há em comum é o fato de serem corpos sempre capturados por conceitos dicotômicos e relações de poder que devastam a floresta. O transbordamento deste conceito pode ser uma ferramenta importante para alterar os rumos da sobrevivência da Amazônia.
Com Pedro Costa Neto e Thiago Cavalli.
Mediação Christine Greiner.

16h30 às 18h – Imaginação Política para ativar Coletivos
A potência das balls e da experiência de convivialidade na Casa Líquida. A experiência de criar balls na universidade como um ativismo e os desafios de viver o encontro como o princípio da metamorfose, a coragem de produzir coligações, atenuar fronteiras e investigar limites, e como perceber a contaminação como prática de resistência. A sua exposição será embasada nos desdobramentos da performance intitulada Casa Líquida, um espaço doméstico e familiar que se abre para tensionar noções como identidade, família e propriedade, ensaiando um viver coletivo e construindo uma certa imaginação política.
Com Juliana Feldens e Yná Kabe Rodríguez.
Mediação: Christine Greiner.

As inscrições podem ser feitas a partir das 14h do dia 28/3 no site do Centro de Pesquisa e Formação  do Sesc, através do app ou presencialmente em qualquer unidade do Sesc São Paulo. Após o início da atividade não é possível realizar inscrição. O cadastro é pessoal e intransferível.

O pagamento pode ser feito através do cartão de crédito, débito ou em dinheiro. Trabalhamos com as bandeiras Visa, Mastercard, Elo e Hipercard.

Ao término do curso, você poderá solicitar sua declaração de participação pelo e-mail declaracao.cpf@sescsp.org.br
A declaração será encaminhada em até 30 dias

O cancelamento poderá ser realizado com até 48 horas antes do início da atividade, por email: centrodepesquisa.cpf@sescsp.org.br

(Arte: Thiá Sguoti/Créditos: Acervo Transespécie do Museu Transgênero de História e Arte/Ian Guimarães Habib)

Palestrantes

Roberta Estrela D'Alva

Roberta Estrela D'Alva

Atriz-MC, diretora, pesquisadora e slammer, membro-fundadora do Núcleo Bartolomeu de Depoimentos- Teatro Hip-Hop e do coletivo Frente 3 de Fevereiro. É idealizadora e slammaster do ZAP! Zona autônoma da Palavra, primeiro poetry slam brasileiro.
(Foto: Acervo pessoal)

Christine Greiner

Christine Greiner

Professora da PUC/SP, onde ensina na pós-graduação em Comunicação e Semiótica e no curso de graduação em Comunicação das Artes do Corpo. É autora de livros e artigos sobre cultura japonesa, arte e estudos do corpo.
(Foto: Acervo Pessoal)

Fabiane M. Borges

Fabiane M. Borges

Psicóloga clínica, pesquisadora acadêmica e curadora de arte, ciência e tecnologia. Atualmente é pesquisadora e colaboradora do Núcleo Diversitas/FFLCH/USP. Articuladora das redes Tecnoxamanismo e Comuna Intergaláctica.
(Foto: Acervo Pessoal)

Tatiana Nascimento

Tatiana Nascimento

Poeta, cantora, compositora, pesquisadora, mãe da Irê. Brasiliense. Finalista do prêmio Jabuti de poesia (2022), é autora de 20 livros, entre poesia, conto, ensaio e traduções.
(Foto: Acervo Pessoal)

Luiz Rufino

Luiz Rufino

Professor da Faculdade de Educação da Baixada Fluminense da Universidade do Estado do Rio de Janeiro e autor de diversos livros, entre eles: “Pedagogia das Encruzilhadas” (Mórula, 2019), entre outros em parceria com o historiador Luiz Antonio Simas.
(Foto: Acervo Pessoal)

Thiago Cavalli

Thiago Cavalli

Fundador da Casa do Rio, instituição sem fins lucrativos que desde 2009 atua na região da BR319, no Amazonas, com iniciativas para o desenvolvimento sustentável. Atualmente cria uma residência artística nas imediações do rio Tupana.
(Foto: Acervo Pessoal)

Zairong Xiang

Zairong Xiang

Ensina literatura e arte na Universidade Duke Kunshan. Foi co-curador da Guangzhou Image Triennial, Ceremony (Burial of an Undead World) na Haus der Kulturen der Welt (Berlin), e da 14a Shanghai Biennial Cosmos Cinema (2023).
Seus livros, artigos e palestras estão aqui: www.xiangzairong.com
(Foto: Acervo Pessoal)

Dodi Leal

Dodi Leal

Curadora, crítica, performer e iluminadora. Professora de Artes Cênicas da Universidade Federal do Sul da Bahia, em Porto Seguro e do PPGAC/UDESC, em Florianópolis. Dirige a série TEATRA, da editora Hucitec.
(Foto: Acervo Pessoal)

Pablo Assumpção

Pablo Assumpção

Coordenador do Programa de Pós-graduação em Artes da Universidade Federal do Ceará e professor associado do Bacharelado em Dança na mesma instituição. Tem produção artística, técnica e científica na área da performance e dos estudos do corpo.
(Foto: Acervo Pessoal)

Pedro Tukano

Pedro Tukano

Indígena do povo Yepá-Mahsã (Tukano) da região do Alto Rio Negro, é gerente de comunicação da Articulação das Organizações e Povos Indígenas do Amazonas (APIAM) e faz parte da coordenação do Coletivo Miriã Mahsã de Indígenas LGBTQIA+ do Amazonas.
(Foto: Acervo Pessoal)

Yná Kabe Rodríguez

Yná Kabe Rodríguez

Trabalha como artista-curadora-pesquisadora, ocupando o cargo de secretária na Secretaria para o Desenvolvimento da Primeira Escola de Indisciplina do Brasil e atua como produtora na Cultura Ballroom com o projeto Grand Prize. É mother na Kiki House of Cyclone.
(Foto: Acervo Pessoal)

Julia Feldens

Julia Feldens

Artista e pesquisadora, mestre e doutoranda em Comunicação e Semiótica pela PUC/SP. Há 9 anos performa a "Casa Líquida", ação que consiste em abrir sua casa para um uso coletivo, transformando-a em território movediço e objeto de pesquisa.
(Foto: Acervo Pessoal)

Data

25/04/2024 a 26/04/2024

Dias e Horários

Quinta e Sexta, 10h30 às 18h.

Curso Presencial

Inscrições a partir das 14h do dia 28/3, até o dia 25/4.
Enquanto houver vagas.

Local

Rua Dr. Plínio Barreto, 285 - 4º andar
Bela Vista - São Paulo.

Valores

R$ 18,00 - credencial plena: trabalhador do comércio de bens, serviços e turismo matriculado no Sesc e dependentes
R$ 30,00 - pessoa com mais de 60 anos, pessoa com deficiência, estudante e professor da rede pública com comprovante
R$ 60,00 - inteira

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