Atividades

trajetórias e produções de mulheres artistas no Brasil do entre século

Contextos
Mulheres em cena: arte, gênero e produção cultural no Brasil, 1900-1950

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Programa

Tradução em Libras disponível. Faça sua solicitação no ato da inscrição, com no mínimo dois dias de antecedência da atividade.

 

As sociedades modernas se organizaram, ao longo do século XIX, a partir de dicotomias estruturais que contrapunham o espaço público, tido como masculino, ao espaço doméstico, considerado essencialmente feminino. Assim, o mundo das profissões foi visto como uma prerrogativa masculina, o que também aconteceu com as atividades ligadas à produção artística e cultural, que transcendiam o espaço privado, ao qual as mulheres deveriam estar limitadas. Justamente no século em que se construiu a imagem do artista a partir de mitos como o "gênio" ou o "flâneur," as mulheres foram consideradas seres sem capacidades criativas, participando de tais mundos mais como objetos de representação, ou de devoção, do que como sujeitos de criação. No entanto, contrariando as expectativas sociais, a partir de finais do XIX, é possível se observar uma série de mulheres criadoras que desafiaram as convenções de sua época, e lograram obter reconhecimentos como pintoras, escritoras, arquitetas, musicistas, escultoras, atrizes.

7/06 -  Pioneiras: mulheres pintoras e escultoras na virada do XIX-XX
Na aula se abordará a história do acesso à formação artística para mulheres no Brasil, enfatizando as trajetórias e produções das primeiras pintoras e escultoras formadas pela Academia nacional, que, em tempos de República, passou a aceitar suas inscrições (1892). Analisando as obras e trajetórias de Julieta de França, Nicolina Vaz de Assis, Georgina de Albuquerque entre outras, pretende-se discutir o modo com que as mulheres enfrentaram uma tradição da qual, até então, haviam sido excluídas.

Com Ana Paula Cavalcanti Simioni, doutora em Sociologia e docente do IEB-USP.


14/06 - Mulheres arquitetas no movimento moderno

Desde a fundação da Bauhaus, o lugar da mulher na arquitetura moderna tentou ser confinado nos limites da domesticidade. Elas não podiam frequentar o ateliê de arquitetura e eram automaticamente conduzidas ao de tapeçaria. No entanto, são vários os casos de carreiras que, não obstante obstruções, lograram ser conhecidas pelos seus projetos, fazendo suas pequenas revoluções simbólicas e criando condições para que recentemente tivéssemos a carreira de sucesso da iraniana Zaha Hadid. Ainda assim, suas trajetórias foram marcadas pelos limites de uma divisão de trabalho tácita e silenciosa. Analisaremos estas premissas à luz do trabalho de Lina Bo Bardi, Charlotte Perriand e Carmen Portinho, dentre outras.

Com Silvana Rubino, doutora em Ciências Sociais e professora na Unicamp.

21/06 - Escritoras na virada do XIX para o XX

A aula sobre Escritoras na virada do XIX para o XX partirá do  questionamento da quase total ausência de mulheres escritoras na chamada República das Letras (1889-1930). Analisaremos a produção de três autoras, duas delas: Amélia Bevilacqua e Júlia Lopes de Almeida e a integração de escritoras à Academia Brasileira de Letras, instituição máxima, à época, de distinção das letras. A abordagem da terceira autora, Cecília Vasconcelos (Madame Chrysanthème), será contrastiva, haja vista ter esta escritora uma produção literária muito diversa  das acima citadas.

Com Maria de Lourdes Eleutério, doutora em Sociologia e docente da FAAP.

28/06 - Mulheres e palcos no Brasil  (teatros e música) entre finais do XIX e inícios do XX

A compositora e maestrina Chiquinha Gonzaga (1847-1935) ganhou um reconhecimento ampliado ao ser interpretada pela atriz Regina Duarte e figurar como protagonista numa série de televisão. Já a atriz Cacilda Becker (1921-1960), considerada a maior intérprete do teatro paulista, chegou às gerações mais novas pela voz de Caetano Veloso. “Viva Cacilda Becker” ecoou pelo país, anos depois da morte da atriz. Entender as semelhanças e as diferenças de vida, de carreira, de trajetória dessas duas mulheres que marcaram a cena musical e teatral brasileira, tal é o objetivo desta aula. Para tanto, vamos contrastar as cidades onde ganharam notoriedade: o Rio de Janeiro mestiço e popular do início do século XX, de Chiquinha Gonzaga, a São Paulo, austera e febril da garoa, dos anos de 1940 e 50, que projetou Cacilda Becker. Vamos também enfatizar as particularidades da cena musical carioca e da cena teatral paulistana. Mais que um cenário, tal é o contexto necessário para refletir sobre o lugar das mulheres nesses espaços de produção cultural.

Com Heloisa Pontes, doutora em sociologia e professora titular da Unicamp.
Com Rafael do Nascimento Cesar, doutorando em Antropologia Social pela Unicamp.

 

As inscrições pela internet podem ser realizadas até um dia antes do início da atividade. Após esse período, caso ainda haja vagas, é possível se inscrever pessoalmente em todas as unidades. Após o início da atividade não é possível realizar inscrição.

Palestrantes

Ana Paula Cavalcanti Simioni

Ana Paula Cavalcanti Simioni

Professora do IEB/USP, autora entre outros de: “Profissão artista: pintoras e escultoras acadêmicas brasileiras, 1884-1922” (EDUSP/ FAPESP, 2008). Desenvolve pesquisas sobre as relações entre arte e gênero no Brasil.
(Foto: Acervo Pessoal)

Maria de Lourdes Eleutério

Maria de Lourdes Eleutério

Doutora em Sociologia e docente da FAAP.

Rafael do Nascimento Cesar

Rafael do Nascimento Cesar

Doutorando em Antropologia Social pela Unicamp.

Data

07/06/2016 a 28/06/2016

Dias e Horários

Terças, 19h30 às 21h30

Local

Rua Dr. Plínio Barreto, 285 - 4º andar
Bela Vista - São Paulo.

Valores

R$ 15,00 - credencial plena: trabalhador do comércio de bens, serviços e turismo matriculado no Sesc e dependentes
R$ 25,00 - pessoa com mais de 60 anos, pessoa com deficiência, estudante e professor da rede pública com comprovante
R$ 50,00 - inteira