Curso Híbrido
Os circos itinerantes durante o nazismo: subversão e resistência
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Programa
Durante séculos, o circo foi uma forma popular de entretenimento. Com artistas de diversas origens étnicas e sociais, os circos eram espaços cosmopolitas e móveis capazes de atravessar fronteiras políticas, étnicas e sociais, servindo como arenas de transferência de cultura e portais de exibição e aceitação da alteridade.
Os circos europeus eram geridos por grupos minoritários (ciganos e judeus, principalmente), com artistas de todo o mundo e de todas as origens, incluindo pessoas com deficiências físicas. Essas pessoas, que não apenas buscavam um modo de vida itinerante, mas também eram frequentemente membros de um grupo minoritário, experimentaram constantemente a exclusão e o racismo e foram submetidas a várias formas de opressão pela população majoritária, incluindo as autoridades estatais.
Como local de lazer permitido e possível de subverter as relações de poder estabelecidas, bem como local de miscigenação racial e social proibida pelo regime nazista, donos de circo e circenses figuravam como vítimas, salvadores e combatentes da resistência.
4/7- Circenses e ciganos: caminhos que se cruzam
O objetivo é compreender as aproximações, distâncias e misturas existentes entre as práticas e modos de vida dos circenses e dos grupos étnicos ciganos. Sabe-se que ambos possuem diversas semelhanças que os levam frequentemente a serem concebidos como grupos idênticos, contudo, partilham de inúmeras diferenças em suas relações com a sociedade, modos de vida e organização social e práticas culturais. Desse modo, visamos tratar das inúmeras experiências históricas vivenciadas entre circenses e ciganos por meio do acesso a diferentes fontes de pesquisa como artigos, teses, livros, dissertações, documentários e entrevistas dedicados a esses dois grupos e seus modos de vida e organização sociocultural. Essa opção metodológica provém do fato de termos poucas fontes que tratam da relação entre circenses e ciganos e da complexidade elevada que os caracteriza como grupos sociais. Há menções sobre os diversos grupos ciganos que se tornaram circenses, no entanto não há um amplo debate dos processos históricos dos cruzamentos entre suas artes, modos de vida e influências culturais, sociais, relacionais e até da linguagem ou dialetos.
5/7- Os circenses itinerantes durante a Segunda Guerra (on-line)
Durante séculos, os circos europeus foram dirigidos por grupos minoritários (ciganos sinti e roma, judeus), com artistas de todo o mundo e de todas as origens. Como tal, os circos constituíram uma porta estreita para a aceitação da alteridade. Durante o nazismo, alguns circos mostraram coragem moral e esconderam pessoas durante as rondas, salvando vidas; em outros, as pessoas em circos itinerantes eram alvos fáceis para os nazistas e colaboracionistas. Apesar do significado dessa história multifacetada, temos poucas informações sobre o destino dos circenses antes, durante e depois da Segunda Guerra Mundial. A natureza móvel dos grupos itinerantes contesta a documentação das famílias circenses, que, por gerações, muitas vezes vivem circulando e não deixam rastros a não ser as memórias, cartazes e alguns panfletos. Por essa razão, optou-se por uma abordagem biográfica para estudar a história do circo durante a Segunda Guerra Mundial. Nesta apresentação, serão apresentadas algumas histórias dos circenses europeus.
6/7 - Desrespeitável Público: o circo como possibilidade de resistência durante o Holocausto
A participação e as particularidades da presença judaica no circo na Europa anterior à 2ª Guerra Mundial e as relações de resistência e colaboração do circo e de artistas circenses durante o Holocausto. Quem nunca ouviu a expressão “respeitável público”? A premissa de que haveria um choque de valores entre o circo tradicional dirigido por grupos minoritários e o regime nazista foi o ponto de partida para um material educativo gratuito e inédito, de curadoria do Museu do Holocausto de Curitiba.
Recomendamos o uso de máscara cobrindo nariz e boca.
Se você necessita de recursos de acessibilidade, como tradução em Libras, solicite pelo e-mail centrodepesquisa.cpf@sescsp.org.br, após a conclusão e efetivação do pagamento da sua inscrição, com até 48 horas de antecedência do início da atividade.
As inscrições podem ser feitas a partir das 14h do dia 27/6 no site do Centro de Pesquisa e Formação do Sesc ou presencialmente em qualquer unidade do Sesc São Paulo. Após o início da atividade não é possível realizar inscrição. O cadastro é pessoal e intransferível.
O pagamento pode ser feito através do cartão de crédito, débito ou em dinheiro. Trabalhamos com as bandeiras Visa, Mastercard, Elo e Hipercard.
Ao término do curso, você poderá solicitar sua declaração de participação pelo e-mail declaracao.cpf@sescsp.org.br
A declaração será encaminhada em até 30 dias
O cancelamento poderá ser realizado com até 48 horas antes do início da atividade, por email: centrodepesquisa.cpf@sescsp.org.br
Palestrantes
Erminia Silva
Doutora em História Social da Cultura (IFCH-Unicamp). Co-coordenadora junto com Daniel de Carvalho Lopes do site www.circonteudo.com. Co-coordenadora junto com Marco Antonio Coelho Bortoleto do CIRCUS (FEF-UNICAMP). Professora da ESLIPA - Escola Livre de Palhaços, Palhaças e Palhaces desde 2012. Co-organizadora junto com Carolina Matoso e Marcela Laine do Grupo PSIRCOS, voltado para o estudo, pesquisa e troca de conhecimento a respeito das articulações entre circo e psicologia. Vencedora do Prêmio Governador do Estado para a Cultura - SP, 2012. Co-Curadora da 54ª Ocupação Benjamim de Oliveira do Itaú Cultural.
(Foto: Acervo pessoal)
Ramon Marambio
Mestre em História da Arte pela Unifesp, MBA em Bens Culturais pela FGV, e formado em Administração de Empresas e Marketing pela FECAP. Nascido e criado em circo, quarta geração circense, é malabarista, palhaço e gestor do Circo Marambio.
(Foto: Rita Araújo)
Malte Gasche
Docente e pesquisador no Centro de Estudos Nórdicos da Universidade de Helsinki. Doutor pelo Instituto Nordeuropa na Humboldt Universität em Berlim. Representante da Finlândia no Comitê sobre o Genocídio dos Ciganos na Aliança Internacional de Memória do Holocausto (IHRA). Pesquisa diversos grupos transnacionais e desfavorecidos nas sociedades europeias, suas condições de vida e as estratégias de segurança social. Desenvolveu e coordenou o projeto "Diverging Fates: Travelling Circus People in Europe under National Socialism” e o projeto "Forgotten Cosmopolitans: Diverging Fates of Europe’s Circus People”.
(Foto: Acervo Pessoal)
Carlos Reiss
Coordenador-Geral do Museu do Holocausto de Curitiba. Membro do comitê executivo da Rede Latino-Americana para o Ensino da Shoá (LAES) e da equipe curatorial do Memorial às Vítimas do Holocausto do Rio de Janeiro. Egresso da Escola Internacional do Yad Vashem, em Jerusalém.
(Foto: Acervo Pessoal)
Michel Ehrlich
Mestre em História pela UFPR, atualmente doutorando no programa de pós-graduação em História da UFRGS. Coordenador de História do Museu do Holocausto de Curitiba, instituição na qual também trabalhou como mediador educativo. Atua como professor no 2º ciclo do Ensino Fundamental.
(Foto: Acervo Pessoal)
Data
04/07/2023 a 06/07/2023
Dias e Horários
Terça e Quinta, 15h às 17h;
5/7, 14h às 16h
Curso Híbrido
Inscrições a partir das 14h do dia 27/6, até o dia 4/7.
Enquanto houver vagas.