Atividades

Curso com nove encontros trata da musicalidade na cidade de São Paulo em diversos aspectos

Perspectivas
Uma metrópole musical: SP no início do século XX

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Programa

A cidade de São Paulo viveu no início do século XX um período de grandes transformações. Nesta nova dinâmica despontou um cenário sonoro e musical bastante fragmentado e de múltiplas características que ainda precisa ser melhor conhecido e debatido.

Este curso pretende justamente identificar e discutir alguns aspectos desta rica história cultural da cidade São Paulo composta, por exemplo, pelas intensas atividades no teatro musicado e das bandas militares e civis. Mas que incluía tanto as melodias e ritmos que acompanhavam os trabalhadores de rua, como aqueles que embalavam dançarinos nos salões e clubes.

Que apresentava também sonoridades que associavam tradições e modernidades exibidas nas canções caipiras e nas novas práticas violonísticas.

E, finalmente, neste cenário urbano começaram a aparecer novas sensibilidades sonoras produzidas pelas indústrias fonográfica e radiofônica paulistana.

04.06 | Aula 1: Introdução
A cidade de São Paulo viveu no início do século XX um período de rápidas e significativas mudanças. Nesta dinâmica em que um novo cenário cultural aparecia, seu panorama sonoro e musical revelou-se de múltiplas maneiras e alternativas variadas. Ocorre que de modo geral, a historiografia sempre enfrentou dificuldades e obstáculos para escutar e compreender as dinâmicas em que sons e sonoridades estiveram presentes no passado. Com relação à cidade de São Paulo esta condição foi amplificada, uma vez que se projetou para ela certo apagamento de suas memórias sonoras. Deste modo, esta aula pretende apresentar de maneira introdutória tanto questões teóricas relativas aos debates da “escuta do passado”, como aspectos gerais relacionados ao panorama musical e sonoro paulistano do início do século XX.
Com José Geraldo Vinci de Moraes.

06.06 | Aula 2 - Caipiras no estúdio de gravação. Tradição e modernidade em São Paulo
Durante o início do século XX o crescimento acelerado da cidade de São Paulo propiciou a convivência de traços antigos e modernos numa relação tensa. Nesse ambiente cultural surgiu um estilo musical associado ao universo da cultura caipira e interpretado, ora por músicos urbanos, ora por músicos do interior. O novo gênero fez sucesso nos palcos paulistanos dos anos 20 e 30 e ganhou certo destaque na nascente indústria fonográfica. Escutaremos gravações históricas desse repertório, analisaremos as representações do homem caipira veiculadas por ele, assim como sua relação com a tradição rural e suas críticas à modernidade da cidade.
Com Juliana Perez.

11/06 | Aula 3: Bailes e salões de dança em São Paulo: novas sociabilidades, sensibilidades e música
Na virada do século XX começaram a despontar na cidade inúmeros salões de danças com sentido diverso daqueles existentes no século XIX. Neles apareceram novas estratégias para educação dos corpos, da escuta e prática musical, como também as tensões relacionadas aos novos costumes e normas sociais. As histórias desses clubes e bailes, quem os organizava, a quem eram destinados, quais seus personagens e músicas tocadas e dançadas, ainda são um tanto obscuras. O objetivo é justamente discutir o panorama que possibilitou a emergência destes locais em São Paulo e como esses eventos contribuíram para a formação de novas sensibilidades na sociedade paulistana.
Com Giovana Moraes Suzin.

13/06 | Aula 4: Bandas civis e militares em São Paulo.
Bandas de música civis e militares tiveram vida ativa no cenário urbano e musical paulistano entre o final do século XIX e início do século XX. Elas eram presenças permanentes em eventos públicos e privados, festas populares, comemorações cívicas e religiosas, nos esportes, lazer e assim por diante. No entanto, o conhecimento e a compreensão dos variados papéis que desempenharam na cidade é ainda é um tanto vago e desconhecido pela historiografia de modo geral e a musical de maneira específica. Porém, entender sua posição na vida cultural e social da cidade é fundamental tanto para compreender os mecanismos de formação e sobrevivência dos músicos populares, como para o melhor entendimento dos processos de circulação e divulgação dos gêneros musicais antes da proliferação dos meios de comunicação eletrônicos.
Com José Roberto dos Santos.

18.06 | Aula 5: Vai graxa ou samba? Os engraxates paulistanos e a música nas ruas
A aula trata da relação dos engraxates ambulantes com a música produzida nas ruas da cidade de São Paulo durante a primeira metade do século XX. Sujeitos ecléticos que se relacionavam com os mais diferentes estratos sociais, os lustradores de sapatos ocupavam as ruas paulistanas desde meados do século XIX e criaram, ao longo do tempo, uma forte imbricação com a cultura musical da cidade, inclusive com inserção no rádio. As rodas de samba organizadas informalmente por estes trabalhadores nas esquinas, praças e largos, ajudavam a compor a paisagem sonora paulistana. A prática contribuiu também na formação de uma geração de sambistas e na consolidação do samba em São Paulo.
Com André Augusto de Oliveira Santos.

25.06 | Aula 6: Música nos palcos e ruído no “galinheiro”: teatro musicado, recepção e censura
Entre o final do século XIX e o início do XX, o teatro musicado foi espaço valioso de decantação da música popular urbana na cidade de São Paulo. A programação dos teatros e teatrinhos, cujo número só crescia, era dominada por espetáculos variados embalados por muita música e bom humor. Os espectadores do chamado “galinheiro”, como a imprensa se referia aos setores mais populares, reagiam ruidosamente, em cena aberta, com gritos, palmas, bengaladas...  Essa participação desregrada virava caso de polícia por não caber no projeto elitista de transformar a pauliceia em “Capital Artística”, com o incentivo a espetáculos líricos e gente selecionada (pela polícia, se preciso fosse) na plateia, bem como a censura a textos e encenações teatrais.
Com Denise Sella Fonseca.

27.06 | Aula 7: Violão paulistano: repertório e práticas no início do século XX
A atividade violonística da cidade de São Paulo, nas primeiras décadas do século XX, estava dispersa no rádio, indústria fonográfica, cinema, circo, cafés cantantes e cafés concertos e nos conjuntos de choro que atuavam nas serestas e serenatas. Alguns núcleos se formaram ao redor de violonistas e professores, mas estes músicos, cuja atuação representou a formação de escolas informais, acabaram, em sua maioria, tendo suas obras relegadas ao esquecimento. Nesta aula, abordaremos a sonoridade produzida por estes violonistas e evidenciaremos as técnicas, repertórios e práticas em torno do instrumento.
Com Flavia Prando.

02.07 | Aula 8: Primeiros acordes do disco em São Paulo.
Desfrutar da música gravada é atividade das mais triviais no nosso dia a dia. Em nossas casas, pelo rádio ou em nossos smartphones, a música gravada está acessível 24 horas por dia. No entanto, ouvir música sem o músico tem uma história relativamente curta – pouco mais de cem anos. Nesta aula, iremos discutir alguns aspectos da atuação da indústria fonográfica em São Paulo, que, ao lado do rádio, contribuiu para criar uma nova escuta e uma nova musicalidade para a cidade.
Com Camila Koshiba.

04.07 | Aula 9: Cultura radiofônica e produção musical em São Paulo nos anos 1930 e 1940
Na primeira metade do século XX, o rádio se consolidou, no Brasil e no mundo, como um poderoso veículo de informação, entretenimento e publicidade. Na cidade de São Paulo se testemunhou uma expansão significativa da radiodifusão em vários aspectos interdependentes: o crescimento do número de emissoras, a ampliação do comércio e consumo de equipamentos eletrônicos, a transição de um cenário amador para a exploração de um modelo comercial, a consolidação de um star system local e a transformação nos padrões musicais e da escuta privada e doméstica. Esta aula abordará as relações entre o desenvolvimento de uma cultura radiofônica e a produção e circulação musical na cidade de São Paulo nos anos 1930 e 1940, período em que as emissoras se tornaram verdadeiras empresas do espetáculo urbano, privilegiando a música popular em sua programação.
Com Giuliana Souza de Lima.

As inscrições pela internet podem ser realizadas até um dia antes do início da atividade. Após esse período, caso ainda haja vagas, é possível se inscrever pessoalmente em todas as unidades. Após o início da atividade não é possível realizar inscrição.

Se você necessita de recursos de acessibilidade, como tradução em Libras, audiodescrição, entre outros, solicite por e-mail ou telefone, com até 48 horas de antecedência do início da atividade. centrodepesquisaeformacao@sescsp.org.br / 11 3254-5600

(Foto: Ladeira General Carneiro, Antiga Rua João Alfredo, 1914 - Uso Livre)

Palestrantes

André Augusto de Oliveira Santos

André Augusto de Oliveira Santos

Doutorando e Mestre em História Social pela (FFLCH-USP). Sua dissertação foi premiada em primeiro lugar no Concurso Sílvio Romero de Monografias (2015), promovido pelo Iphan-CNFCP e recebeu menção honrosa no Prêmio História Social Dissertações (2015-2016).
(Foto: Acervo Pessoal)

Camila Koshiba

Camila Koshiba

Doutoranda e mestre em História Social pela FFLCH-USP. Em 2007, recebeu prêmio do Concurso Sílvio Romero (IPHAN) com o livro Música em 78 rotações.
(Foto: Acervo Pessoal)

Denise Sella Fonseca

Denise Sella Fonseca

Mestre em História (FFLCH-USP) e autora do livro Uma Colcha de Retalhos. A música em cena na cidade de São Paulo (Ed Sesi). Prêmio Silvio Romero 2015 (2ª Menção Honrosa). É pesquisadora, professora e autora de materiais didáticos, com ênfase em História do Brasil e Cultura Popular.
(Foto: Acervo Pessoal)

Flavia Prando

Flavia Prando

Doutoranda e Mestre em Música pela Escola de Comunicação e Artes da Universidade de São Paulo (ECA-USP). Bacharel em Música pela Universidade Estadual Paulista Júlio de Mesquita Filho (IA-UNESP). Violonista e pesquisadora do Centro de Pesquisa e Formação do Sesc/SP.
(Foto: Yula Marjorie Ribeiro)

Giovana Moraes Suzin

Giovana Moraes Suzin

Mestranda em História Social (FFLCH-USP), bacharel em História (Udesc) e Jornalismo (UFSC). É produtora musical do Sesc/SP e pesquisadora interessada em vários tipos de bailes, salões e “rolês”.
(Foto: Acervo Pessoal)

Giuliana Souza de Lima

Giuliana Souza de Lima

Doutora e mestre em História Social pela FFLCH-USP e membro do grupo de pesquisa “Entre a Memória e a História da Música”.
(Foto: Acervo Pessoal)

José Geraldo Vinci de Moraes

José Geraldo Vinci de Moraes

Professor Livre-Docente no departamento de História da FFLCH-USP, com pós-doutorado na Université Paris-Ouest Nanterre.
(Foto: Acervo Pessoal)

José Roberto dos Santos

José Roberto dos Santos

Mestre em História Social (FFLCH-USP) e Bacharel em música. Clarinetista e capitão do quadro de oficiais músicos da Banda da Polícia Militar do Estado de SP.
(Foto: Acervo Pessoal)

Juliana Perez

Juliana Perez

Doutora e mestre em História Social pela FFLCH-USP. Historiadora colombiana e autora dos livros Las historias de la música en Hispanoamérica (2010) e Da música folclórica à música mecânica. Mário de Andrade e o conceito de música popular (2015).
(Foto: Acervo Pessoal)

Data

04/06/2019 a 04/07/2019

Dias e Horários

Terças e Quintas, 19h às 21h30.

*Exceto dia 20/6.

As inscrições podem ser feitas a partir de 28 de Maio, às 14h, aqui no site do Centro de Pesquisa e Formação ou nas Unidades do Sesc em São Paulo.

Local

Rua Dr. Plínio Barreto, 285 - 4º andar
Bela Vista - São Paulo.

Valores

R$ 24,00 - credencial plena: trabalhador do comércio de bens, serviços e turismo matriculado no Sesc e dependentes
R$ 40,00 - pessoa com mais de 60 anos, pessoa com deficiência, estudante e professor da rede pública com comprovante
R$ 80,00 - inteira