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morte e vida das grandes cidades

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A cidade de Jane Jacobs

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Programa

Condições especiais de atendimento, como tradução em libras, devem ser informadas por email ou telefone, com até 48 horas de antecedência do início da atividade.
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Ciclo apresenta diferentes abordagens acerca do pensamento de Jane Jacobs sobre as cidades e a vida urbana.

Dia 29/05 - As grandes cidades americanas na voz de Jane Jacobs
Jane Jacobs, nascida, em 1916, em Scranton (Pensilvânia), viveu um momento ímpar de formação das grandes cidades norte-americanas, particularmente o de significativa expansão suburbana e de especialização dos usos urbanos, o que lhe permitiu compor uma leitura muito específica de vivências e experiências que a afastou das tendências hegemônicas do urbanismo de meados do século XX, particularmente do urbanismo moderno cujas matrizes se fundavam nas propostas de Daniel Burnham, líder do movimento City Beautiful; de Ebenezer Howard e suas cidades jardins; e de Le Corbusier com sua Ville Radieuse.

Em seu primeiro e mais importante livro, The Death and Life of Great American Cities (cuja tradução brasileira não fez menção à especificidade espacial de suas análises – Morte e vida das grandes cidades –, diferente do que ocorre na tradução francesa, por exemplo, Déclin et survie des grandes villes américaines), Jane Jacobs, em 1961, propõe a superação da uniformidade espacial por meio da defesa da diversidade, em que a intensificação do uso das ruas e das calçadas é um mote significativo.
A perda das relações entre os moradores das grandes cidades era, para Jacobs, um dos sintomas importantes da morte destas aglomerações urbanas.

No sentido, então, de trazer-lhes vida, alguns preceitos precisariam ser seguidos: usos combinados em que várias funções urbanas estivessem distribuídas pelos bairros e distritos, o que permitiria o fluxo de pessoas pelas ruas em horários diferentes; presença de quadras curtas, com possibilidades de encontro entre vizinhos ampliadas; a idade dos edifícios dos distritos deveria ser  diversa, bem como seu estado de conservação, aumentando o contato entre as pessoas e as potencialidades de sucesso dos pequenos empreendimentos; e suficientemente alta densidade de pessoas, tanto a fixa, a dos moradores, como a flutuante, a de transeuntes em geral.

Por mais que o debate de Jane Jacobs não permita dar conta de inúmeros liames complexos estabelecidos na relação entre a política e o capital na produção das grandes cidades norte-americanas, tampouco de países tão distintos do caso estudado por ela (os Estados Unidos), como é o brasileiro, sua contribuição na construção de uma fotografia ímpar, principalmente nova-iorquina, é surpreendente. Assim, pretendemos analisar a contribuição de Jane Jacobs na leitura das grandes cidades contemporâneas americanas.

Com Júlio César Suzuki.

Dia 30/05 - Jane Jacobs, pensadora transdisciplinar
Desde a publicação de seu primeiro livro, Morte e Vida das Grandes Cidades Americanas, em 1961, até nossos dias, Jane Jacobs se consolidou como a teórica mais citada e influente em estudos urbanos. Conscientemente ou não, ideias correntes como as “cidades para pessoas”, “bairros caminháveis”, “cidades compactas” ou “vitalidade urbana” contêm traços do discurso de Jacobs. Entretanto, sua obra como um todo ainda é, na maior parte, desconhecida no Brasil.

A palestra pretende tratar esse déficit, fazendo um panorama de seus vários livros, suas principais ideias, suas contribuições efetivas, os limites de suas abordagens e as controvérsias – de seu ativismo na Nova York de Edward Moses ao seu status como pioneira da jovem disciplina dos estudos urbanos, teórica em economia e pensadora transdisciplinar.

Percorreremos um caminho diverso, cobrindo uma autora que passou por fases distintas. Iniciando por uma contextualização biográfica, veremos os passos que a levaram a se tornar uma inovadora dos estudos urbanos. Visitaremos seu status controverso – seria ela uma observadora, uma teórica, uma pesquisadora, uma amadora...? Em seguida, veremos como suas ideias têm resistido ao crivo da verificação empírica, tanto nos estudos urbanos quanto na economia espacial. Discutiremos ainda seu lugar como pensadora da auto-organização avant la lettre, e a importância da sua escrita para o sucesso de suas ideias. Finalmente, veremos seus livros comentados, sua última hipótese, que permaneceria incompleta, e como podemos entender seu lugar no campo do urbanismo hoje.

Com Vinicius M. Netto.

*Durante a palestra, será apresentado o livro “Efeitos da Arquitetura: os impactos da urbanização contemporânea no Brasil”, que trata dos efeitos multidimensionais da arquitetura.
 
Dia 31/05 - A favor da cidade: Jane Jacobs e a crítica aos modelos do urbanismo oficial
Partimos do princípio evocado pelo sociólogo urbano Anselm Strauss de que livros sobre cidades são sempre engajados, ou seja, expressam um determinado partido.
Essa perspectiva nos ajuda a compreender a obra "Death and Life of Great American Cities" (1961), de Jane Jacobs, notável em defender uma posição em favor da cidade e do princípio da diversidade, na crítica ao urbanismo modernista de extração racionalista e suas intervenções no espaço público. A leitura de Jane Jacobs foi chave para que, sob sua influência, dois antropólogos pudessem vir a ocupar-se reflexivamente daquilo que a própria experiência urbana encarrega-se de banalizar e naturalizar, considerando um bairro tradicional do centro do Rio de Janeiro, submetido a transformações radicais, em contraste com o projeto modernista de morar da Selva de Pedra, no Leblon. Assim, escreveram em 1979 o livro "Quando a Rua Vira Casa", publicado no ano seguinte pelo CPU-IBAM, atualmente em sua quarta edição (EDUFF, 2017).

Com Marco Antonio da Silva Mello e Felipe Berocan Veiga.

As inscrições pela internet podem ser realizadas até um dia antes do início da atividade. Após esse período, caso ainda haja vagas, é possível se inscrever pessoalmente em todas as unidades. Após o início da atividade não é possível realizar inscrição.

(Foto: Black and white city houses skyline - static.pexels.com)

Palestrantes

Felipe Berocan Veiga

Felipe Berocan Veiga

Doutor em Antropologia, chefe do Departamento de Antropologia e professor do Programa de Pós-Graduação em Antropologia da UFF. Pesquisador do Laboratório de Etnografia Metropolitana - LeMetro/IFCS-UFRJ.
(Foto: Acervo Pessoal)

Júlio César Suzuki

Júlio César Suzuki

Doutor em Geografia Humana pela USP. Entre 2007 e 2008, realizou estágio pós-doutoral na Université Paris 1-Panthéon-Sorbonne e, entre 2014 e 2015, na Université Rennes 2 e na Université de Pau et des Pays de l'Adour. Professor do Departamento de Geografia da USP e do PROLAM/USP.

(Foto: Acervo Pessoal)

Vinicius M. Netto

Vinicius M. Netto

PhD em Advanced Architectural Studies pela University College London e Professor Adjunto da Escola de Arquitetura e Urbanismo da UFF.  Autor do livro “The Social Fabric of Cities” (Routledge 2017), do documentário “Arquitetura e o Ballet da Rua” (2015), e de mais de 60 artigos e capítulos publicados no Brasil e exterior.
(Foto: Acervo Pessoal)

Marco Antonio da Silva Mello

Marco Antonio da Silva Mello

Professor-pesquisador do Departamento de Antropologia Cultural (DAC) da UFRJ; Coordenador do Laboratório de Etnografia Metropolitana - LeMetro/IFCS-UFRJ. Doutor em Antropologia pela USP, com pós-doutorado no Département de Sociologie da Université de Paris X-Nanterre.
(Foto: Acervo Pessoal)

Data

29/05/2017 a 31/05/2017

Dias e Horários

Segunda a Quarta, 19h30 às 21h30

As inscrições podem ser feitas a partir de 25 de abril às 14h, aqui no site do Centro de Pesquisa e Formação ou nas Unidades do Sesc em São Paulo.

Local

Rua Dr. Plínio Barreto, 285 - 4º andar
Bela Vista - São Paulo.

Valores

R$ 15,00 - credencial plena: trabalhador do comércio de bens, serviços e turismo matriculado no Sesc e dependentes
R$ 25,00 - pessoa com mais de 60 anos, pessoa com deficiência, estudante e professor da rede pública com comprovante
R$ 50,00 - inteira