Atividades

A língua dos outros

Perspectivas
Sociolinguística, gírias e preconceito linguístico

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Programa

O ciclo abordará a adoção de gírias e expressões por grupos sociais como mecanismo de identidade, reconhecimento mútuo, proteção e resistência; a variedade linguística existente na sociedade; os mecanismos pelos quais a linguagem de um grupo é subalternizada em relação a de outro e algumas palavras são transformadas em tabus, ressignificadas, incorporadas e traduzidas para membros externos de uma determinada subcultura.

04/10-Preconceito linguístico, tabus e palavrões: reflexões sobre a linguagem proibida
O léxico de uma língua permite que nele se entreveja o modo como a comunidade percebe o mundo que a circunda, em seus diferentes aspectos. Assim, por meio do seu estudo podemos ter uma ideia dos preconceitos que permeiam a sociedade. Pretende-se apresentar considerações teóricas referentes aos itens léxicos obscenos e aos tabus linguísticos a eles subjacentes. Não se visa fazer uma apologia à linguagem das obscenidades, mas sim trazer o conhecimento de uma área ainda escassamente abordada no âmbito acadêmico - mas de acentuada riqueza lexical e cultural - e versar sobre seu processo de criação, seus usos e efeitos, procurando desmistificar os preconceitos que circundam o tema.
Com Vivian Orsi.

05/10-A tradução de gírias e expressões idiomáticas
As expressões idiomáticas servem para dar cor e peculiaridade às construções do falante sempre que este sentir que as construções lexicais comuns não lhe bastam para ter um discurso que interpele ou chame a atenção do outro de modo eficaz, assim como representam uma estratégia de "economia". A questão da gíria, por sua vez, coloca um problema sociolinguístico complexo. Para além de não haver uma fronteira inquestionável entre qual item lexical seria ou não gíria, precisamos considerar que ela também põe em debate a diferença entre formal e informal, oficial e não oficial, e marcação de diferença entre grupos, classe social e geração. O objetivo desta apresentação é discutir a tradução de gírias e expressões idiomáticas do português para línguas estrangeiras e explicitar a especificidade sociolinguística que está colocada na questão das gírias em língua brasileira de sinais (libras), uma língua de modalidade gestual-visual, minoritária em relação à língua oficial do Brasil.
Com Maria Emília Chanut e César Augusto de Assis Silva.

06/10-A língua dos grupos marginalizados
A língua expressa a realidade dos diferentes grupos que a produzem e a utilizam. Tratando a gíria como um signo de grupo, Maria de Lourdes Remenche analisará os resultados de uma pesquisa realizada no Sistema Penitenciário do Paraná, os quais evidenciaram que as gírias se constituem por meio de criações metafóricas de origem disfórica, emprego de processo onomatopaico, empréstimos, forte tendência à concretização do abstrato, entre outros. Em suma, a gíria revelou-se uma forma de expressar as crenças, mazelas e alegrias do grupo de internos do Sistema Penitenciário. Já Carlos Henrique Lucas lima analisará a emergência histórica do pajubá, o método pajubeyro ou escritura queer, a evolução do pajubá às linguagens pajubeyras, o pajubá como estratégia de descolonização das subjetividades injuriadas.
Com Maria de Lourdes Remenche e Carlos Henrique Lucas Lima.

As inscrições pela internet podem ser realizadas até um dia antes do início da atividade. Após esse período, caso ainda haja vagas, é possível se inscrever pessoalmente em todas as unidades. Após o início da atividade não é possível realizar inscrição.

Condições especiais de atendimento, como tradução em libras, devem ser informadas por email ou telefone, com até 48 horas de antecedência do início da atividade.
centrodepesquisaeformacao@sescsp.org.br / 11 3254-5600

Palestrantes

César Augusto de Assis Silva

César Augusto de Assis Silva

Antropólogo e psicanalista. Doutor em Antropologia Social pela USP. Autor do livro "Cultura surda: agentes religiosos e a construção de uma identidade" (Terceiro Nome, 2012).
(Foto: Acervo Pessoal)

Vivian Orsi

Vivian Orsi

Doutora pela UNESP. É professora assistente doutora do IBILCE/UNESP, campus de São José do Rio Preto-SP. Atua nas áreas de Língua Italiana, Lexicologia, Lexicografia, Moda, Tabus linguísticos e Turpilóquio.
(Foto: Acervo Pessoal)

Maria Emília Chanut

Maria Emília Chanut

Doutora em Letras pela UNESP de São José do Rio Preto. professora doutora em Língua Francesa nessa Universidade. Tradutora Juramentada habilitada pela Jucesp desde 2000.
(Foto: Acervo Pessoal)

Maria de Lourdes Remenche

Maria de Lourdes Remenche

Professora adjunta da Universidade Tecnológica Federal do Paraná (UTFPR). Doutora em Linguística pela FFLCH/USP. Coordenadora do subprojeto do PIBID de Língua Portuguesa e líder do Grupo de Pesquisa em Linguística Aplicada (GRUPLA).
(Foto: Acervo UTFPR)

Carlos Henrique Lucas Lima

Carlos Henrique Lucas Lima

Doutor em Cultura e Sociedade pela UFBA. Coordena o Programa de Extensão Re(ex)sistência LGBT. É líder do Grupo de Pesquisa Corpus Possíveis, da UFOB. Cofundador da revista Periódicus.
(Foto: Acervo Pessoal)

Data

04/10/2017 a 06/10/2017

Dias e Horários

Quarta a Sexta, 19h30 às 21h30

As inscrições podem ser feitas a partir de 27 de setembro às 14h, aqui no site do Centro de Pesquisa e Formação ou nas Unidades do Sesc em São Paulo.

Local

Rua Dr. Plínio Barreto, 285 - 4º andar
Bela Vista - São Paulo.

Valores

R$ 15,00 - credencial plena: trabalhador do comércio de bens, serviços e turismo matriculado no Sesc e dependentes
R$ 25,00 - pessoa com mais de 60 anos, pessoa com deficiência, estudante e professor da rede pública com comprovante
R$ 50,00 - inteira